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Brasil registou uma morte a cada duas horas nas rodovias federais no ano passado

Especialista em segurança no trânsito diz que "mais importante do que diminuir o número de mortes é diminuir a letalidade dos acidentes"

Foto: PRF

O Brasil registrou no ano passado 5.432 mortes em rodovias federais – aumento de 0,6% em comparação com 2021. De acordo com o levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), isso equivale a um óbito a cada duas horas.


Durante o período, outras 18.088 pessoas ficaram gravemente feridas em um total de 64.301 acidentes. São dados que impressionam. Entretanto, o inspetor da Coordenação de Comunicação Institucional da PRF e especialista em Segurança no trânsito, Alexandre Castilho, revela que a situação indica relativa estabilidade nos números.


“De fato houve um aumento no número de mortes, mas é um aumento de 0,6%, saindo de 5.397 mortes para 5.432 — aumento de 35 mortes de um ano para o outro. Se você for pegar essa média de uma morte a cada duas horas, não houve aumento. Considerando 35 mortes por um período de um ano inteiro, 0,6% dá para indicar uma relativa estabilidade nos números. Então, critico essa premissa de aumento. Houve matematicamente um aumento mas analisando o percurso histórico dos números está muito mais próximo da manutenção do número de mortes em 2022 do que um aumento”, afirma Castilho.


A base de dados apresentada no levantamento expõe que em 2022 o número de acidentes registrados chegou a 64.301, ante aos 64.441 do ano anterior – o que representa redução de 0,1%. De acordo com Castilho, as estatísticas, neste caso também mostram estabilidade.


“Mais importante do que diminuir o número de mortes é diminuir a letalidade dos acidentes. A gente está conseguindo reduzir o número de vítimas fatais e o número de feridos graves em cada ocorrência”, destaca o inspetor.


Castilho ainda lembra de uma proposta feita pela ONU em 2010 sobre a década da Segurança Viária. A iniciativa sugeria que todos os países membros tentassem promover condições para um trânsito mais seguro, com o objetivo de reduzir em 50% o número de acidentes e mortes. O especialista reforça o papel crucial da PRF neste objetivo.


“No Brasil, a gente saiu até antes de a ONU propor isso, né? Mas é porque já havia um trabalho em curso de redução da letalidade. Eu sempre vou falar muito de letalidade e menos de acidente porque o acidente não conseguimos necessariamente evitar. Na década da segurança viária, em 10 anos a PRF saiu de 8.400 mortes e agora nós temos 5.400, apesar do aumento da frota, apesar do aumento de motoristas, apesar do aumento de malha viária sobre circunscrição da PRF, ainda assim as mortes temos conseguido reduzir”, afirma Castilho.


Estados com mais ocorrências


O levantamento da PRF também indica as rodovias com maior incidência de acidentes, de feridos e de mortes. Minas Gerais lidera o ranking de acidentes (8.269) e de óbitos (701), seguido de Santa Catarina que registrou 7.572 ocorrências e 350 mortes.


Adiante, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, completam a lista. O inspetor Castilho nota que as ocorrências se sucedem de forma recorrente em estados do Sudeste e Sul e lembra que o número de acidentes e óbitos, novamente, está associado a lugares de maior atividade econômica.


“Por que citei 7 e não 5 ou 3? Para mostrar que só aparece o Nordeste no sétimo lugar do ranking. Por que isso? O número de acidentes está diretamente relacionado à atividade econômica. Quanto maior produção industrial, quanto maior o número de riquezas em circulação, quanto maior o número de veículos de passeio misturados a veículos de carga, maior vai ser o número de ocorrências. Então a prosperidade econômica muitas vezes ela também é refletida em números de acidentes rodoviários.”, explica o inspetor.


Já as rodovias que tiveram maior número de mortes foram a BR-101, principalmente no trecho que cruza Santa Catarina, com 364 casos. Em segundo lugar ficou o trecho da BR-116 em São Paulo, com 517 óbitos; e em terceiro o da BR-040 em Minas Gerais, com 380 mortes.


A partir da base de dados, Castilho argumenta que a análise de ocorrências em rodovias deve ser feita com mais atenção para certos trechos, já que há estradas que cruzam todo o país e que. Isso explica por que a BR-101 e a BR-116 lideram o ranking.


“Tem rodovias no Brasil que começam no Rio Grande do Sul e vão ao Rio Grande do Norte. Temos a BR 101 e a BR-116. Então é mais fácil você falar de trechos das rodovias do que de rodovias. Na. BR-101, você vai ter São Paulo, Rio, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas”, avalia.


Castilho destaca o modelo de estruturação do transporte no país como um fator que deve ser levado em consideração.


“O Brasil privilegiou investir no transporte rodoviário para circulação de cargas. Não temos linhas férreas; as que temos são para pequenos percursos e geralmente para transporte de grãos. Não há navegação costeira, não há hidrovias. Toda a produção industrial do Brasil circula em rodovias. Eu fiz um estudo recente que aproximadamente 75% de tudo que o Brasil negocia ou comercializa no território nacional passam por rodovias federais. Três quartos de tudo consumimos todos os dias, passou por uma rodovia. Como esses produtos circulam nas rodovias? Por caminhões. Assim começa o grande problema, quando você coloca um veículo de passeio que pesa uma tonelada e meia circulando ao lado de uma carreta de 60 toneladas”, lembra.


Fonte: O Sul

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