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Com impactos em 30% do RS, provedores de internet buscam R$ 1,2 bi para reconstruir rede de fibra ótica

Levantamento de entidade que reúne as pequenas prestadoras de serviço de banda larga fixa aponta para mais de 6 mil quilômetros de cabos danificados em razão das enchentes no Rio Grande do Sul

A chuva e as enchentes que atingiram 425 munícipios gaúchos desde o início do mês de maio também geram problemas para restabelecer a comunicação por internet em muitas localidades. Com mais de 6 mil quilômetros de cabos de fibra ótica destruídos pelas águas – o suficiente para ir e voltar três vezes de Porto Alegre até Buenos Aires, na Argentina – o Estado registra problemas em 149 munícipios.


Significa que 30% das cidades gaúchas dependem da recuperação do cabeamento para sanar as interrupções de acesso à rede mundial de computadores. O setor busca, em Brasília, condições para implementar um socorro de R$ 1,2 bilhão, em linhas de crédito, disponibilizadas com prazo alongado e juros permissivos.


A medida é considerada fundamental para normalizar a situação e garantir a sobrevivência das pequenas prestadoras de serviços (PPPs). Esse segmento responde por 53% do mercado gaúcho de banda larga fixa.


A ideia, conforme explica o presidente da Associação dos Provedores de Serviços e Informações da Internet (InternetSul), Fábio Brada, é sensibilizar o governo federal e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a necessidade de utilizar, neste momento, os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).


Esse fundo é mantido com valores fixos pagos pelos usuários nas faturas mensais e, até o momento, não foi empregado para o custeio de ações setoriais. A entidade gaúcha estima que existam cerca de R$ 50 bilhões em caixa, atualmente. O objetivo é que parte desses recursos possa ser redirecionada à reconstrução da rede e do capital de giro das empresas gaúchas.


Necessidade de crédito


Por essa razão, Fábio Brada esteve em Brasília, onde participou de agendas junto ao governo, órgãos reguladores e bancada gaúcha. Segundo ele, o ideal seria a criação de um mecanismo não-reembolsável para o acesso emergencial aos valores existentes no Fust.


Mas, na impossibilidade de ter o pleito atendido, identifica urgência em estabelecer melhores condições de pagamento aos financiamentos. Linhas de crédito, com carência de 36 meses e quitação em sete anos, que possam ser operadas, além do BNDES, por bancos e cooperativas, estão entre as reivindicações.


— Lutamos para que esse fundo seja não reembolsável, pura e simplesmente porque essas empresas foram destruídas, estão com dificuldades e precisam de ajuda, principalmente nesse momento, para que se possa manter os empregos e os compromissos essenciais para a comunicação.


Corrida para manter clientes e empregos


Até o início da semana passada, existiam 612 mil conexões de banda larga fixa afetadas no Rio Grande do Sul. Cerca de 92% dessas ligações eram entregues por pequenos e médios prestadores de serviços.


Tratam-se de empresas de menor porte que cumprem a função de desconcentrar o mercado, fator que auxilia na manutenção de planos com preços acessíveis, em razão da concorrência. Além disso, em muitas cidades do Interior do Estado, esses estabelecimentos representam a única alternativa de banda larga fixa disponível.


Ao citar o exemplo de uma provedora de Canoas, na Região Metropolitana, cuja base de clientes alcançava 2,5 mil residências em um dos bairros mais impactados do município, o diretor de Relações Institucionais da InternetSul, Fabiano André Vergani explica que a impossibilidade de restabelecer o serviço faz com que empresas maiores acabem assumindo os contratos.


— É a lei do mercado, mas é preciso considerar que a entrega foi prejudicada por uma tragédia. Essa mesma empresa emprega 40 pessoas, 20 desabrigadas no momento. Com equipamentos e roteadores inutilizados pela água e a rede destruída. Sem ter como reativar os contratos e receber dos clientes, como fará para manter os funcionários? – questiona, ao lembrar que situações similares acontecem em muitas provedoras de acesso à internet do Estado.


Por isso, segundo Vergani, na medida em que o tempo passa, sem que haja solução para essa situação, também se estabelece um movimento de mercado que não favorece a formação de preços ao consumidor final.


— Hoje, o Brasil consegue oferecer serviço de banda larga fixa acessível porque existem muitas empresas de menor porte que impendem a concentração da oferta nas grandes. Mas, a demora para que consigam se restabelecer coloca empregos em risco e dificulta que mantenham a sua base de clientes e sobrevivam no mercado — resume.


Auxílio aos concorrentes


Em meio aos prejuízos, os provedores de internet do Interior gaúcho deixam de lado a concorrência para auxiliar as empresas locais a se reestabelecerem. Em Candelária, município do Vale do Rio Pardo, dos quatro provedores locais, apenas um continuou com operações no auge dos alagamentos ocorrido há três semanas.


Conforme explica, Filipe Ellwanger, proprietário da FAE Tecnologia, das seis rotas de fibra ótica que abasteciam a cidade, somente a utilizada pelo seu negócio permaneceu ativa. Diante do rompimento dos cabos que chegavam de Santa Maria, pela RS-287, ou de Cachoeira do Sul, pelos trilhos da ferrovia, usados por outras três empresas de Candelária, ele ofereceu a possibilidade de ligação em sua rede.


A solução improvisada, que exige instalar novos cabos, ligados à rota ativada, amenizou a falta de acesso à internet por banda larga naquele momento e permitiu restabelecer a comunicação em muitas residências que não eram clientes da FAE, mas estavam sem o serviço.


A mesma rede, cujo trajeto passa por estradas rurais, e não por rodovias, também serviu de amparo à empresas de Cachoeira, Agudo, Sobradinho, Lagoa Bonita e outras cidades da região.


Fonte: GZH

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