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Defasagem no preço do leite assusta produtores da região

Os produtores estão sofrendo severas dificuldades financeiras para manter a qualidade na produção, comprometendo a sustentabilidade das famílias que basicamente depende dessa renda para se manter

Foto: JM Alvarenga/Divulgação

Os preços do leite no mercado atacadista nacional fecharam o mês de julho em queda e a tendência para agosto é de novos recuos. Com um aumento significativo de quase 300% na importação de leite dos países do Mercosul, os produtores brasileiros, principalmente os gaúchos, onde se concentra o maior número, estão sofrendo severas dificuldades financeiras para manter a qualidade na produção, comprometendo a sustentabilidade das famílias que basicamente depende dessa renda para se manter.


No Rio Grande do Sul foi registrado uma diminuição de R$1,00 do litro pago ao produtor. Valor este que acompanhou a baixa nas prateleiras dos supermercados que no ano de 2022 por exemplo chegou a custar cerca de R$7.


Mas, conforme Marcelo Gomes Steiner, Extensionista Rural da Emater-RS/ASCAR, esta queda não acompanha o valor do custo da produção, o que implica aos produtores um valor de lucro muito abaixo do que o de costume, ficando por muitas vezes quase igualado, impossibilitando margem de retorno que compensaria ainda os custos de mão de obra dedicada ao serviço.


“O custo, é bastante variável, dependendo se o produtor tem que comprar mais ou menos insumos (rações e silagem) para a alimentação das vacas, ou se usa somente pastagens. Mas podemos considerar uma média geral em torno de 70% do litro atual de leite (2,26 R$ em Santiago), ficando assim um custo médio em torno de 1,60 R$/litro”, destacou ele.

Em nossa região, onde a concentração de produtores está nos municípios de Santiago, Capão do Cipó e Jaguari, o valor pago ao produtor por litro é de R$2,26 no mês de agosto, sendo que o custo médio para a produção é de R$1,60. Desta forma, o lucro do produtor que, nos últimos anos girava em torno de R$2,00 o litro ficou em apenas R$0,66.


Este retorno, conforme o casal de produtores Mauro Dapieve Durgante e Elizabete Peronio Durgante, da localidade de Lava Pés, é considerado quase que insignificativo, uma vez que não cobre nem ao menos perdas que podem acontecer em pastagens, e de animais, por exemplo.


“O custo de produção em relação ao ano anterior está igual e o que recebemos por litro, simplesmente baixou”, explicou Mauro, salientando que hoje a melhor alternativa para manter os animais seria a produção própria de silagem.


“O custo para a produzir silagem de milho baixou cerca de 40% em relação a 2022, então estamos investindo neste recurso para podermos acompanhar o mercado”, disse.
Foto: Jaíne Perônio

Dona Elizabete, que junto ao marido trabalha no ramo leiteiro há mais de 20 anos, é uma apaixonada pelo que faz e não mede esforços para dedicar seu tempo para garantir a qualidade na produção e, principalmente o bem estar de cada animal que tem em sua propriedade. Mas, segundo ela, a pesar de não se ver longe desta função, as dificuldades para manter os custos estão preocupando.


“Nós produzimos para as empresas Coopatrigo, CCGL, e a produção pecuária leiteira sempre foi muito desafiante, considerando os “altos e baixos” de valores, como eles mesmo salientam."

Conforme dados da FETAG- RS, as dificuldades enfrentadas pelas famílias levaram muitas delas a abandonar a produção de leite e migrar para outras atividades agrícolas ou até mesmo para o êxodo rural. No Rio Grande do Sul, em levantamentos realizados pela ASCAR/Emater-RS, de 2015 até 2021 houve uma queda de 52,3% do número de produtores de leite vinculados à indústria, representando mais de 44 mil famílias, sendo que este número cresceu de forma muito significativa em 2022 e 2023.


Em nossa região, conforme Marcelo Gomes Steiner “houve uma forte redução dos produtores, sendo estimado em mais de 50% de abandono deste sistema de produção, sendo baixa valorização, a falta de mão de obra e a grande distância das maiores indústrias leiteiras, os grandes fatores de contribuição para o abandono da atividade leiteira na nossa região”, afirmou.


Texto: Francieli Sagrilo - Jornal A Folha

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