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Quase metade dos brasileiros não consegue pagar suas dívidas, maior proporção desde 2016

43% da população adulta estão comprometidos com dívidas em aberto

Foto: Divulgação

Levantamento da Serasa Experian de abril informa que 71,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 43% da população adulta, estão comprometidos com dívidas em aberto. É o maior número verificado desde janeiro de 2016, quando o Brasil vivia os efeitos de uma forte recessão.


Em conjunto, esses inadimplentes devem R$ 340,6 bilhões, outra cifra impressionante. Ao constatar que boa parte do passivo se concentra no cartão de crédito e no cheque especial, a pesquisa expõe a espiral de endividamento que corrói o poder de compra das famílias e torna a poupança inviável.


O quadro é dramático para os fundamentos da economia. Mas, sobretudo, pesa no dia a dia de famílias apertadas para cobrir suas despesas básicas com o orçamento disponível, que recorrem às dívidas e à escolha de quais contas não pagar. Em abril, 700 mil pessoas físicas ingressaram na lista de inadimplência. Na comparação com o mesmo mês de 2022, foram 5,3 milhões a mais acossadas pelas cobranças.


Os dados mostram que 69,6% dos inadimplentes estão na faixa etária de 26 a 60 anos de idade. Em tese, em plena capacidade de trabalho. Há crescimento gradual nessa esfera e também na dos negativados com mais de 60 anos, que em abril responderam por 17,8% do total. Entre aposentados e trabalhadores ainda ativos, os mais velhos estão expostos a assumir o papel de arrimo de família e aos apelos da armadilha do crédito consignado.


As causas desse cenário são há muito conhecidas. O aperto monetário em vigor pelo Banco Central, sem sinal de arrefecimento desde agosto de 2022, vem sendo apontado como indutor da escalada gradual da inadimplência. Desde janeiro passado, há mais de 70 milhões de brasileiros nessa condição. Na ponta, a Selic e a alta inadimplência alimentam a lógica dos juros extorsivos aplicados por bancos e empresas financeiras, que tendem a tornar as dívidas impagáveis.


A renda do trabalho, estagnada há quase um ano, também tem efeito direto sobre esse cenário, que certamente seria pior sem os benefícios do Bolsa Família. Há de considerar ainda o fato de a desaceleração dos índices de preços ao consumidor em abril não ter sido suficiente para conter o aumento da inadimplência de pessoas físicas. A inflação continua a roer a renda e a provocar o endividamento.


Há potencial alívio desse quadro no segundo semestre com a antecipação do pagamento do 13.º salário para os aposentados e com a aprovação do projeto de lei sobre o aumento do salário mínimo acima da inflação. O programa Desenrola pode dar contribuição substancial, porém não definitiva, ao aliviar o peso das dívidas. Sua implementação pelo governo federal tarda já quatro meses.


A solução para esse drama depende essencialmente do crescimento sustentável, numa escala mais ambiciosa que a atual, para que tenha real impacto sobre a renda do trabalho e o emprego formal. Até o momento, a inadimplência de quase metade dos brasileiros é um dos freios a esse objetivo. É preciso considerar, também, que a situação real provavelmente é bem pior: a Serasa Experian não inclui as dívidas com os agiotas.


Fonte: O Sul

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