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Tratamento experimental contra enxaqueca traz esperança a pacientes no RS: “Voltei a viver normalmente”

  • Foto do escritor: Saimon Ferreira
    Saimon Ferreira
  • 20 de out.
  • 3 min de leitura

Procedimento testado em Passo Fundo bloqueia artéria meníngea e já reduziu crises em pacientes crônicos. Estudo será ampliado para outras cidades

Foto: Tatiana Tramontina / Agencia RBS
Foto: Tatiana Tramontina / Agencia RBS

Um tratamento experimental testado em Passo Fundo, no norte do RS, está trazendo esperança para quem sofre de enxaqueca. O método utiliza espécie de “cola” que solidifica uma artéria e interrompe o fluxo sanguíneo, quebrando o ciclo da dor.


O estudo é conduzido pelos neurocirurgiões José Vanzin e Luciano Manzato, do Hospital de Clínicas de Passo Fundo (HC). Na primeira etapa, 10 pacientes da região foram submetidos ao procedimento intervencionista que bloqueia a circulação da artéria meníngea média. 


— O cérebro em si não dói. O que dói é a meninge e alguns nervos cervicais. A ideia é inativar essa meníngea e tirar ela dessa equação, desse círculo vicioso da dor — explica Vanzin.


O grupo tratado na primeira fase do estudo foi composto por nove mulheres e um homem com idades entre 19 e 70 anos. Todos apresentavam enxaqueca crônica, quando o paciente tem 15 ou mais crises por mês durante pelo menos três meses. 

Os pacientes não foram escolhidos por acaso: a predominância feminina, explicam os médicos, está relacionada à influência hormonal. A enxaqueca afeta 18% das mulheres e 6% dos homens. 


Para Manzato, os resultados preliminares da pesquisa, publicados na revista internacional Interventional Neuroradiology, foram animadores:


— Dos 10 pacientes avaliados, sete ficaram sem remédios para enxaqueca após seis meses. Os outros três tivemos que retornar com um antidepressivo simples, que é geralmente um dos primeiros passos para quem tem enxaqueca. Eles tiveram uma que outra crise, mas são esporádicas e não impactam a vida.


A segunda fase do estudo deve envolver cerca de 150 pacientes e será ampliada para outros locais, como Caxias do Sul, Florianópolis (SC) e Rio de Janeiro (RJ). O primeiro procedimento da nova etapa foi realizado em Passo Fundo na primeira semana de outubro.


Além da dor de cabeça


A enxaqueca pode ter diferentes origens, da genética ao ambiente, e não tem cura. De acordo com Vanzin, não se trata apenas de uma dor de cabeça, mas de um processo químico e inflamatório.


Conforme o médico, entre os gatilhos mais comuns estão estresse, sono irregular, jejum prolongado, alimentos como queijo, chocolate e vinho tinto, além de perfumes fortes e produtos industrializados.


A doença costuma provocar dor unilateral e latejante, sensibilidade à luz e ao som, náuseas e até alterações visuais (auras), quando o paciente enxerga pontos luminosos ou perde parte do campo de visão. O tratamento envolve antidepressivos, anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, toxina botulínica e anticorpos monoclonais, método mais moderno específico para enxaqueca.


— A automedicação, ou o excesso de medicação para enxaqueca, produz dor de cabeça. A pessoa acha que toma a medicação para melhorar e ele (o medicamento) está causando a dor de cabeça — alerta Vanzin.


— Nosso estudo busca ajudar justamente aqueles pacientes que já tentaram todas essas opções e continuam com crises incapacitantes — complementa Manzato.


“Voltei a viver normalmente”

A agricultora Margarete da Silva de Jesus, 43 anos, é uma das 10 pessoas que participaram da primeira fase do estudo. Ela conviveu com enxaquecas severas por quase duas décadas, que se tornaram diárias e impossibilitavam o trabalho e a vida social.


— A dor era tão forte que às vezes eu pensava em bater a cabeça na parede. Nenhum remédio fazia efeito, eu já não tinha vontade de sair e fazer passeios porque a dor era muito forte. Queria ficar sempre quieta ou trabalhando, para ver se esquecia da dor — lembra.


Depois de tentar diversos tratamentos sem resultado, Margarete conheceu o neurocirurgião Luciano Manzato e aceitou participar do estudo. Ela passou pelo procedimento de bloqueio da artéria meníngea média em maio de 2024.


— Nos primeiros dias ainda senti dor, mas foi diminuindo. Hoje tenho uma dor leve às vezes, quando estou estressada, mas nada comparado ao que era antes. Voltei a trabalhar, cuidar da casa e viver normalmente — comemora.


Como participar da pesquisa

Pacientes interessados em participar da triagem para a segunda fase do estudo podem entrar em contato com o Serviço de Neurologia e Neurocirurgia (SNN) do Hospital de Clínicas pelo telefone (54) 3317-6000. A participação é gratuita, com avaliação e exames realizados pelo SUS.


Fonte: GZH

 
 
 

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