Adriana Irion deixa o grupo RBS após 34 anos de serviços prestados
"Entrei em ZH para deixar na portaria dados para uma matéria sobre o acidente de ônibus em que meu pai e mais de 30 pessoas morreram. A outra visita foi para trabalhar, meu primeiro e único emprego até hoje." disse a profissional em comunicado feito em suas redes sociais

Depois de 34 anos atuando como repórter no Grupo RBS, Adriana Irion deixa a empresa e o jornalismo. A profissional postou em suas redes sociais o comunicado. Confira:
Chegou ao fim meu mergulho de 34 anos nessa aventura chamada Zero Hora.
Pisei na calçada do jornal, pela primeira vez, para pegar o listão do vestibular, com meu pai. Na Rua Zero Hora distribuíam a edição extra encadernada com aquele cheiro inconfundível. Cheiro de jornal papel. Na segunda vez, poucos meses depois, entrei em ZH para deixar na portaria dados para uma matéria sobre o acidente de ônibus em que meu pai e mais de 30 pessoas morreram. A terceira visita foi para trabalhar, meu primeiro e único emprego até hoje. Comecei no Arquivo Fotográfico. Saio como repórter do Grupo de Investigação da RBS.
Não teria como contar todos perrengues, gargalhadas e choros de mais de três décadas vivendo esse amor. Pra mim, o jornalismo não é um negócio em que tu cumpre horário e vai pra casa para trabalhar só no dia seguinte. É permanente e tu não faz pelos teus chefes: é um prazer único e íntimo que reabastece a gente o tempo todo. Tu pensa em desistir e, em um segundo já tá indo encontrar uma fonte de madrugada, falando ao telefone com uma mão e com a outra fritando bife do filho, de férias e negociando uma exclusiva para o dia da volta, indo para um lugar impensável (até cemitério) para buscar papéis que vão revelar mais um escândalo.
Não consigo explicar o que é a energia de uma redação, de ter do lado feras da reportagem, gente que pega na tua mão durante as fraquezas e alegrias. Obrigada aos meus amigos-colegas. É também um privilégio ter entrado na vida de tanta gente, nas suas casas, nas suas histórias. Gratidão imensa aos que se arriscaram de alguma forma para falar, denunciar, revelar. Devo tudo a minhas fontes de todos os cantos, desde um presidiário a uma alta autoridade.
Obrigada RBS por me deixar ter feito tudo isso. É bem difícil abrir mão de um amor que seguirá vivo. Sempre terei o olhar e o coração de jornalista. Mas agora quero usá-los para conhecer os desafios do Direito (sou formada e tenho OAB) e me dedicar mais ao que se pode fazer no Terceiro Setor.
Escolhi encerrar essa aventura. Sorte para quem fica!



























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