top of page

Brasil entra em ano eleitoral com incógnitas no país e no Rio Grande do Sul

  • Foto do escritor: Saimon Ferreira
    Saimon Ferreira
  • 31 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Enquanto Lula já atua para chegar ao seu quarto mandato, lideranças do centro à direita buscam o melhor rosto de quem possa rivalizar uma disputa nacional

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O país ingressa no ano eleitoral com mais dúvidas do que certezas. Para 2026, há basicamente uma definição: Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da República tentará a reeleição para levar o PT à sua sexta gestão no Palácio do Planalto, sendo quatro dele. Enquanto Lula já atua para chegar ao seu quarto mandato, inclusive com mudanças nas políticas sociais, lideranças do centro à direita buscam o melhor rosto de quem possa rivalizar uma disputa nacional.


O responsável por polarizar o país ante ao PT foi o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas duas últimas eleições. Apesar de preso, inelegível e incomunicável, não está totalmente de fora do tabuleiro e já fez seu movimento ao chancelar a pré-candidatura do primogênito, o senador Flávio Bolsonaro, para herdar sua capilaridade eleitoral.


Já uma direita menos atrelada ao bolsonarismo e mais ligada ao mercado financeiro tem outra preferência: Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de São Paulo. Contudo, sem uma definição do carioca que governa o estado vizinho, outros governadores se projetam como presidenciáveis. Casos de Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO). Esses nomes foram lançados à disputa, porém, como são governadores em segundo mandato, para concorrerem em 2026 precisarão deixar os seus cargos no período de desincompatibilização, em março/abril do próximo ano, gerando assim outros desdobramentos.


“A esperança da direita é uma candidatura do governador de São Paulo, que seria unificadora. Na ausência dele, a fragmentação deve se ampliar – e não apenas para a eleição nacional. Significa que é mais difícil de construir blocos de aliança nas eleições dos estados, que pode significar também um maior número de lançamento de candidaturas conservadoras nos estados, se não houver um unificador”, analisa Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da Ufrgs.

Assim, o caminho de Tarcísio de Freitas é considerado uma das incógnitas a ser desvendadas em 2026, pois sua decisão impacta os demais agentes da disputa nacional, cujas definições, por sua vez, geram desdobramentos em suas respectivas composições locais.


Enquanto o campo político aguarda para saber o destino de Tarcísio, a pré-candidatura de Flávio não empolga a direita, segundo vê o professor da Ufrgs. “Parece que foi muito mais uma jogada do ex-presidente Bolsonaro para garantir que não se esqueçam dele na cadeia, do que propriamente preocupado com as eleições.”


Já o professor de políticas públicas da ESPM, Fábio Pereira de Andrade, discorda da hipótese de que a candidatura de Flávio tenha sido um blefe do clã Bolsonaro.


“De certa forma, estou remando contra a maré. Não vejo na candidatura de Flávio um balão de ensaio. É uma candidatura que, desde o primeiro momento, veio pra ficar. Foi num momento em que o ‘centrão’ sinalizava preferência por Tarcísio, com alguém indicado pela família Bolsonaro como vice. Michelle (ex-primeira-dama) até fez alguns movimentos. E o núcleo masculino da família, puxado pelo pai, respondeu muito rapidamente, indicando o filho. E não é uma indicação tampão. O sinal foi: o capital político acumulado desde 2018 pertence a Jair Messias e, basicamente, à sua família. E eles não estão dispostos a correr o risco de transferir esse capital político.”

Andrade complementa afirmando não acreditar que Flávio possa assumir posição de coadjuvante, como, por exemplo, ser vice de Tarcísio, em uma possível chapa, ou ainda concorrer à reeleição ao Senado. “A decisão está tomada, e o candidato é o Flávio. A direita que se articule em torno. Quem estiver apostando que a família vai abrir mão para que o Tarcísio seja o grande candidato, a probabilidade de se dar muito mal é muito grande.”


Ainda na lógica de que Flávio Bolsonaro poderia repetir o duelo de seu pai contra Lula, há a compreensão de que essa polarização ainda é forte, porém, apresenta desgaste em relação à eleição passada, como aponta o cientista político Juliano Corbellini.


“É inegável o desgaste de 2022. O tempo cansa esse debate”, resume. Segundo ele, há espaço para uma candidatura à Presidência que não fique nesta polarização. “Existe uma demanda (eleitoral), mas até agora não se apresentou um discurso que compreenda esse sentimento”, reforça Corbellini. Além disso, há outro fator: o tempo. Para ele, partidos perderam muito tempo no aguardo de uma posição do bolsonarismo e de quem seria o beneficiado, que outros nomes não despontaram.

Foto: Arte: Leandro Maciel
Foto: Arte: Leandro Maciel

Disputa ganha forma no Estado


O Rio Grande do Sul tem mais definições do que o cenário nacional no momento. Assim como à Presidência, a esquerda tem candidato definido ao governo do RS: Edegar Pretto concorrerá novamente pelo PT. A direita tem Luciano Zucco (PL) com a chancela de Bolsonaro para concorrer. Os partidos de centro à direita apresentam múltiplas pré-candidaturas.


Quatro partidos da base de Eduardo Leite (PSD) pleiteiam sua sucessão no Palácio Piratini. O vice Gabriel Souza (MDB) tem a preferência do governador, como já manifestado anteriormente, para ser o candidato do governo, mas Juliana Brizola (PDT), Marcelo Maranata (PSDB) e Ernani Polo e Covatti Filho (PP) também apresentam disposição de encabeçar uma chapa.


A grande incógnita para as eleições gaúchas está na decisão do PP. O partido com o maior número de prefeitos no Estado é disputado para compor com o MDB ou com o PL com uma candidatura a vice e uma das vagas ao Senado e pretende, até o final de janeiro, ter uma definição interna. “MDB e PP são partidos extremamente enraizados nos municípios e, portanto, qualquer candidatura que eles lancem são candidaturas que têm, a priori, um certo grau de força”, opina o cientista político e professor da Ufrgs, Rodrigo Stumpf Gonzalez.


Neste cenário posto, a dificuldade, acredita o cientista político Juliano Corbellini, será fazer com que os candidatos consigam romper a sua bolha eleitoral. “O Rio Grande do Sul, diferentemente de outros estados, tem um centro político bem definido, que foi o vencedor da eleição de 2022, tem nomes posicionados e forças políticas bem identificadas”, analisa.


Assim, romper o seu núcleo, deve ser uma questão a ser ponderada. Há outra questão envolvendo a eleição estadual, segundo ele, levando em consideração os nomes postos: transição geracional. Em outras palavras, os quatro nomes que representam uma nova geração de políticos, mesmo que alguns estejam na política há muitos anos.


Outro movimento indefinido é o futuro político de Eduardo Leite. Se o governador irá concluir seu mandato, deixá-lo para concorrer ao Senado ou sair para se candidatar à presidência da República, são as atuais opções postas à mesa.


Ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Gabriel Souza analisou que uma candidatura de Flávio Bolsonaro favoreceria um projeto nacional de Leite, já que dificilmente o ficha 1 do partido para a candidatura, o governador paranaense Ratinho Júnior, disputaria contra alguém da família Bolsonaro. Porém, o tempo está correndo.


“Uma candidatura nacional do Leite morreu na saída. Acima de Santa Catarina, ninguém sabe quem é o Leite. Se ele queria ser candidato à eleição nacional, ele tinha que ter começado a campanha há quatro anos. Ele é o governador do RS, ponto”, afirmou Gonzalez.


“Ele é um potencial candidato importante. Para manter o seu capital político, seria importante ele lançar uma candidatura ao Senado. Não ter pressa, até porque ele é muito jovem, e aproveitar os oito anos do Senado para ir cultivando, se apresentando através de projetos de lei, de posicionamentos, para sociedade brasileira, para ter condições de ser um candidato um pouco mais competitivo”, sugere o professor da ESPM Fábio Pereira de Andrade.

Foto: Arte: Leandro Maciel
Foto: Arte: Leandro Maciel

Texto: Diego Nuñez e Mauren Xavier - Correio do Povo

 
 
 

Comentários


PUBLICIDADE PADRÃO.png

Destaques aqui no site!

Quem viu esse post, também viu esses!

bottom of page