El Niño se intensificará até atingir potência máxima em dezembro
Fenômeno deverá provocar temperaturas acima da média

O fenômeno El Niño continuará se intensificando antes de alcançar seu "ponto máximo" em dezembro, alertou a ONU nesta quinta-feira (8), ao advertir que poderá ser um dos mais fortes registrados desde pelo menos 1950.
Esse fenômeno meteorológico natural provocará um aumento das temperaturas em grande parte do planeta, segundo a agência de meteorologia e clima das Nações Unidas, e seu impacto agravará os efeitos da mudança climática causada pelo homem.
"O episódio de El Niño continuará se intensificando antes de alcançar seu ponto máximo, previsto para dezembro", afirmou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu boletim mensal sobre o clima sazonal global.
"É provável que provoque temperaturas acima da média em grande parte do planeta e altere os padrões de precipitação, cenário em que aumentaria o risco de secas e inundações em diversas regiões", alertou.
O El Niño, como é conhecido o aquecimento da superfície do Pacífico equatorial central e oriental, é capaz de desencadear mudanças nos ventos, na pressão e nos padrões de precipitação em todo o planeta.
Em geral, ocorre a cada dois a sete anos e dura entre nove e 12 meses. As condições oscilam entre o El Niño e seu oposto, a La Niña, com períodos neutros entre um e outro.
El Niño está se fortalecendo rapidamente
"Prevê-se que as temperaturas da superfície do mar nas partes central e oriental do Pacífico tropical aumentem até atingir valores sem precedentes durante os meses de outubro, novembro e dezembro de 2026", afirmou a OMM.
"Isto se deve ao fortalecimento do episódio de El Niño, que vai determinar os padrões meteorológicos e afetar economias, ecossistemas e comunidades em todo o mundo", acrescentou.
Essa previsão baseia-se no consenso de 13 centros meteorológicos nacionais e internacionais de primeiro nível. "El Niño se consolidou e está se fortalecendo rapidamente", ressaltou em comunicado a diretora da OMM, Celeste Saulo.
"Segundo as previsões da OMM, a probabilidade de que o evento persista até fevereiro de 2027 é praticamente de 100% e ele pode vir a ser um dos episódios mais intensos desde, pelo menos, 1950", apontou a especialista argentina.
Saulo esclareceu que El Niño não adiciona novo calor ao planeta, e sim libera aquele que está armazenado no oceano. "As águas que alimentam o El Niño apresentam as temperaturas mais altas já registradas. Em outras palavras, há mais calor que pode ser liberado", afirmou.
Recorde de temperaturas marinhas
O índice que mede as anomalias da temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial centro-oriental, a região que está no coração do El Niño, aumentou de 1,6 °C acima do normal em junho para +2,5 °C em agosto.
Para outubro, novembro e dezembro, prevê-se que a anomalia atinja aproximadamente 3,7 °C acima do normal. Esse seria o valor mais alto desde o início das observações, ao superar o recorde anterior de 2,6 °C estabelecido em 2015-2016.
O último fenômeno El Niño contribuiu para que 2023 fosse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 atingisse o máximo histórico, com cerca de 1,55 °C acima da média pré-industrial de 1850-1900.
Embora o El Niño geralmente alcance seu ponto de pico entre novembro e fevereiro, o aumento de temperaturas resultante costuma ocorrer mais tarde.
O episódio atual desse fenômeno já está afetando gravemente algumas regiões, entre elas a América Central, onde animais e plantações estão morrendo em razão da seca.
Fonte- Correio do Povo



























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