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Motorista gaúcho é o primeiro brasileiro a receber aplicação de caneta emagrecedora pelo SUS

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Guilherme Panichi, 39 anos, é um dos 250 convidados a participarem de projeto-piloto.

Um motorista porto-alegrense de 39 anos se tornou, nessa sexta-feira (26), o primeiro brasileiro a receber aplicação de caneta emagrecedora fornecida pelo Sistema Único de Sáude (SUS). A iniciativa faz parte de um projeto-piloto do governo federal em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), da Capital, com a participação de 250 pacientes.

O procedimento foi realizado durante cerimônia com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no auditório do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Conceição (Zona Norte). Guilherme Henrique Streppel Panichi foi contemplado com a dose inicial de semaglutida (princípio ativo utilizado na pesquisa) – o número de injeções varia conforme o caso.

Assim como os demais convidados a tomarem parte no estudo, ele tem ao menos uma comorbidade associada à obesidade mórbida e será acompanhado por equipes encarregadas de avaliar a sua perda de peso aos longo dos próximos 24 meses. O objetivo é reunir dados para mensurar, sob aspectos clínicos e financeiros, a possibilidade da incorporação à rede pública do País esse medicamento, atualmente disponível somente em estabelecimentos particulares.

“Sofro de excesso de peso desde os 6 anos”, relatou Guilherme. “Entrei na fila da cirurgia bariátrica, mas sempre tive receio por conta da minha saúde, então o projeto é para mim um privilégio e a oportunidade de uma vida melhor. Fazer esse tratamento no setor privado também é inviável para mim do ponto-de-vista financeiro.”

O ministro também se manifestou: “O Brasil se torna agora um dos pioneiros no uso de caneta emagrecedora por meio de um sistema público universal, algo que poucos países fizeram. As conclusões servirão de base para a rede pública compreender como o medicamento pode ser usado no tratamento de obesidade e diabetes, além de futuras incorporações pelo SUS, reduzindo a necessidade da bariátrica ou permitindo que seja realizada em indivíduos sem condições clínicas de se submeterem à operação”.

Ainda de acordo com Padilha, é fundamental garantir a produção local para que mais empresas produzam essa medicação e, com isso, derrubem os preços: “Não pode se repetir o que ocorreu com a insulina, quando poucas empresas internacionais detinham quase todo o monopólio da produção. Tudo que envolve o SUS diz respeito a milhões de pessoas, portanto o País precisa ter capacidade de produção [da caneta especial] ou não haverá sustentabilidade na oferta”.

Estatística preocupante

Na apresentação, foi destacado o aumento do sobrepeso e da obesidade no País. Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, apontam que contingente de brasileiros sob tal condição mais que duplicou desde 2024, passando de 11,8% para 25,7% desde 2024. Além disso, houve no SUS uma alta de 57% nos tratamentos relacionados à doença entre 2022 e 2025.

O cenário é também uma barreira a ser enfrentada para melhorar a qualidade de vida dos gaúchos, complementou o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello: “O Rio Grande do Sul é um dos Estados com maior índice de sobrepeso e obesidade no País. Portanto, isso tudo mostra que nós temos um grande desafio no Sistema Único de Saúde. Esse estudo vai contribuir muito para que a gente possa reduzir esses índices”.

Como será a pesquisa

Líder de Inovação no GHC e um dos pesquisadores do projeto-piloto (denominado “Real-Bari), Fernando Anschau explica que todos os pacientes envolvidos estão na fila do SUS para a cirurgia bariátrica, devido a obesidade grave. O próprio perfil do grupo é emblemático: 91% têm obesidade mórbida, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 50, e só 47% possuem condições clínicas para a bariátrica. Já a comorbidade mais prevalente é a hipertensão arterial.

“Chamamos esse projeto de ‘ponte para a cirurgia bariátrica’. Nosso público-alvo precisa de uma condição melhor de saúde para fazer a cirurgia. Com esse trabalho, nossa perspectiva é encurtar o tempo da fila e devolver qualidade de vida em um prazo menor”, disse o médico.

O trabalho é bancado por recursos transferidos ao Hospital Conceição pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento.

Fonte- O Sul

 
 
 

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