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Operação resgata 42 estrangeiros em situação análoga à escravidão no norte do RS

há 11 horas
3 min de leitura

As investigações também apontam a existência de uma rede voltada ao tráfico internacional de pessoas para exploração de mão de obra na região

Uma operação conjunta da Polícia Civil, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho identificou ao menos 42 trabalhadores estrangeiros submetidos a condições análogas à escravidão em Aratiba, Três Arroios, Severiano de Almeida e Getúlio Vargas.


As investigações também apontam a existência de uma rede voltada ao tráfico internacional de pessoas para exploração de mão de obra na região.


As apurações começaram no dia 19 de outubro, após uma denúncia recebida pela equipe da Operação Protetor das Divisas, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. 


A informação indicava que trabalhadores estrangeiros estariam vivendo e trabalhando em condições precárias em uma propriedade rural no interior de Aratiba.

No primeiro local fiscalizado, os agentes encontraram oito trabalhadores, sendo sete estrangeiros e um brasileiro. Eles estavam alojados em imóveis improvisados, sem condições adequadas de higiene, segurança ou dignidade.

Promessas

Conforme os depoimentos colhidos pelos policiais, os trabalhadores foram recrutados em seus países de origem por intermediários que prometiam salários atrativos, moradia gratuita, alimentação, transporte e acesso à internet.

Segundo a investigação, eles eram orientados a entrar no Brasil por rotas alternativas e depois transportados até cidades do Norte gaúcho, onde eram empregados na colheita de citros.

Ao chegarem ao destino, porém, encontravam uma realidade muito diferente da prometida.

Os trabalhadores relataram jornadas diárias de até 12 horas sem descanso, descontos cobrados por alimentação, moradia e transporte e ausência de pagamento dos salários combinados.

Em alguns casos, os entrevistados afirmaram que estavam sendo informados de que possuíam dívidas com os empregadores porque teriam faltado ao trabalho em determinados dias.

Além disso, não havia dias de folga e muitos permaneciam sem qualquer contato com familiares, já que os alojamentos não possuíam sinal de telefonia ou acesso à internet.

Transporte precário

Outro ponto citado pelos órgãos fiscalizadores foi a forma de deslocamento utilizada para transportar os trabalhadores até os locais de colheita.

Segundo os relatos, eles eram levados em caçambas de caminhões e o custo do transporte era descontado dos próprios trabalhadores.

As equipes também encontraram residências sem estrutura mínima para acomodar o grupo. Em alguns casos, até 15 pessoas dividiam os mesmos espaços, sem camas e colchões suficientes para todos.

Novas vítimas

Após o resgate inicial, novas ações foram realizadas entre os dias 20 e 23 de outubro nos municípios de Aratiba, Três Arroios, Severiano de Almeida e Getúlio Vargas.

Durante as diligências, outros grupos de trabalhadores estrangeiros foram identificados e acolhidos pelas equipes de assistência social da região.

Ao final da operação, o número de vítimas localizadas chegou a 42.

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público do Trabalho, os pontos reunidos durante as fiscalizações indicam a existência de uma organização estruturada para recrutar estrangeiros em situação de vulnerabilidade, transportá-los para o Brasil mediante falsas promessas e submetê-los a condições degradantes de trabalho.


Por esse motivo, além das investigações sobre trabalho análogo à escravidão, os órgãos também apuram crimes relacionados ao tráfico de pessoas.

Os responsáveis pelo recrutamento, transporte e contratação dos trabalhadores já foram identificados, mas ainda não foram localizados.

Ajuda

As vítimas foram retiradas dos alojamentos e encaminhadas para locais seguros com apoio das assistências sociais de Erechim, Aratiba, Três Arroios, Severiano de Almeida e Getúlio Vargas.

O Ministério do Trabalho informou que continuará realizando fiscalizações e entrevistas nos próximos dias para localizar outros possíveis trabalhadores submetidos às mesmas condições.


Fonte: GZH



 
 
 

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