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Após 23 anos, empresa deixa de operar em área central de Jaguari por decisão judicial

há 1 hora
3 min de leitura

Zatur Terraplanagem deverá retirar caminhões, máquinas pesadas, materiais e equipamentos do atual endereço. Escritório poderá permanecer no local, enquanto parte da estrutura operacional está sendo transferida para uma área próxima à BR-287.

Após 23 anos de atuação no mesmo local, a empresa Zatur Terraplanagem está encerrando suas atividades operacionais em uma área central de Jaguari em cumprimento a uma decisão judicial decorrente de ação movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.

A medida ocorre após denúncias relacionadas às atividades desenvolvidas pela empresa no endereço da Rua Prefeito Silvio Marchiori. Entre as principais reclamações apresentadas estão o barulho provocado pela circulação e operação de caminhões e máquinas pesadas, além da emissão de poeira decorrente da movimentação e do armazenamento de materiais como areia e brita.

Conforme a decisão, a empresa poderá manter no atual endereço apenas suas atividades administrativas, através do escritório. Caminhões, máquinas pesadas, materiais de construção e demais equipamentos utilizados na operação deverão ser retirados da área.

Diante da determinação, a Zatur já iniciou a reorganização de sua estrutura. Máquinas, veículos e outros equipamentos estão sendo transferidos para uma área localizada nas proximidades da BR-287, próximo à Agrosolo.

O empresário Cristiano Zaionsc lamentou a decisão, mas afirmou que a determinação judicial será cumprida. Segundo ele, a situação representa mais um desafio enfrentado por quem mantém uma empresa em atividade, especialmente diante dos custos tributários, da dificuldade para encontrar mão de obra qualificada e do que considera falta de incentivos ao setor empresarial.

“Tudo isso tem que colocar na balança. Hoje em dia somos pagadores de impostos e reféns de uma sociedade despreparada para o trabalho. Temos muitos e muitos deveres a cumprir, enquanto isso, nossos direitos são cada vez mais restritos”, comentou Cristiano.

Atualmente, segundo o empresário, a Zatur mantém quase 50 colaboradores, entre empregos diretos e indiretos. Com a necessidade de deixar de realizar suas operações no endereço onde permaneceu por mais de duas décadas, a empresa já avalia alternativas para definir os próximos passos e garantir a continuidade das atividades.

A situação também chama atenção para uma discussão mais ampla sobre o planejamento urbano e a localização de empresas que trabalham com máquinas pesadas, caminhões e armazenamento de materiais dentro do município.

Com o crescimento das cidades, atividades empresariais que anteriormente conviviam com áreas predominantemente comerciais ou residenciais podem passar a enfrentar novos conflitos relacionados ao aumento do trânsito, ruídos, poeira e circulação de veículos pesados. Ao mesmo tempo, essas empresas têm participação na geração de empregos, renda e movimentação econômica do município.

No caso de Jaguari, uma das questões levantadas a partir da situação da Zatur é a ausência de uma área específica e estruturada para receber empreendimentos com esse perfil operacional. A existência de um espaço adequado poderia contribuir para conciliar a atividade empresarial com as necessidades de moradores e com o próprio desenvolvimento urbano.

O episódio, portanto, vai além da mudança de endereço de uma empresa que atua há mais de duas décadas no município. Ele coloca em discussão a necessidade de planejamento para que Jaguari possa receber e manter empreendimentos, ao mesmo tempo em que estabelece condições adequadas de convivência entre atividades econômicas e áreas residenciais.

Para uma cidade que busca desenvolvimento, o desafio passa justamente por encontrar esse equilíbrio: criar condições para que empresas possam crescer, gerar empregos e movimentar a economia, sem deixar de observar as regras urbanísticas e o direito da população à qualidade de vida.

 
 
 

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