Ação desarticula grupo que explorava imagens de crianças com câncer para aplicar golpes no RS e em outros estados
- há 1 hora
- 2 min de leitura
Polícia Civil gaúcha cumpre mandados contra organização que criou campanhas falsas e movimentou mais de R$ 1,7 milhão

A solidariedade despertada por crianças em tratamento de doenças graves era transformada em lucro por uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Na manhã desta terça-feira, o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) deflagrou a Operação Sophia para desarticular o grupo, suspeito de criar falsas campanhas de arrecadação na internet, desviando doações feitas por pessoas sensibilizadas com histórias reais.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até o momento, 12 pessoas foram presas.
A investigação teve início após a mãe de uma menina do Vale do Sinos, em tratamento contra o câncer, denunciar que imagens e vídeos da filha estavam sendo utilizados, sem autorização, em anúncios patrocinados nas redes sociais para arrecadar dinheiro. A família nunca recebeu qualquer valor das supostas doações.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam fotografias, vídeos e relatos reais de pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente crianças com doenças graves, para criar campanhas falsas divulgadas em páginas como "Clube de Doadores", "Doadores com Amor" e "Unidos pelo Amor". Uma das mensagens utilizadas dizia: "A Sophia tem 5 anos e ainda tem chance. Mas ela precisa de ajuda agora".
Os anúncios eram impulsionados no Facebook e no Instagram e direcionavam as vítimas para páginas falsas que imitavam plataformas legítimas de arrecadação, especialmente a Vakinha. Após escolher o valor da suposta doação, o usuário recebia um QR Code Pix ou código copia e cola, mas o dinheiro era transferido para contas controladas pela organização criminosa.
Conforme a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, intermediadoras de pagamento, contas de terceiros, domínios registrados em servidores estrangeiros e ferramentas de camuflagem para dificultar o rastreamento dos recursos.
As apurações revelaram ainda uma estrutura altamente especializada, com integrantes responsáveis pela criação e hospedagem dos sites fraudulentos, produção de vídeos e anúncios, gerenciamento de contas em redes sociais, impulsionamento das publicações e lavagem do dinheiro obtido com os golpes. Também foram identificadas ferramentas de inteligência artificial, clonagem de voz, deepfake, sincronização labial e remoção de metadados para tornar as fraudes mais convincentes.
Fonte: Correio do Povo




























Comentários