Caso Marielle Franco: STF começa julgamento de supostos mandantes do crime
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Cinco réus, entre eles os irmãos Brazão, serão julgados pela Primeira Turma do Supremo

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (24) a julgar os acusados de planejar o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, no bairro Estácio, zona central do Rio. Ela e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros.
Os autores dos homicídios — os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz — foram condenados em 2024 e já cumprem pena.
O STF julga agora os apontados como autores intelectuais da execução de Marielle, de quem teria partido a ordem para matá-la, além de outros agentes que teriam contribuído para o crime.
Embora delitos dolosos contra a vida sejam, normalmente, julgados em Tribunal do Júri, esta ação é analisada no STF por causa da prerrogativa de foro de um dos investigados — no caso, Chiquinho Brazão, que era deputado federal na época dos homicídios. Desde 2023, ações penais no Supremo são julgadas pelas turmas. Este processo ficou com a Primeira Turma porque o relator, Alexandre de Moraes, é integrante dela.
Quem são os réus e quais os crimes imputados?
Domingos Brazão
Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Segundo a acusação, ordenou a morte de Marielle por se opor à atuação política dela na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Responde por duplo homicídio qualificado contra Marielle e Anderson, tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves e organização criminosa
João Francisco “Chiquinho” Brazão
Ex-deputado federal. Teve mandato cassado em 2025 por excesso de faltas e atualmente está sem partido. Segundo a acusação, ordenou a morte de Marielle por se opor à atuação política dela na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Responde por duplo homicídio qualificado contra Marielle e Anderson, tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves e organização criminosa.
Rivaldo Barbosa
Delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo a acusação, usou a posição de comando para dificultar as investigações e evitar que os mandantes do crime fossem conhecidos. Responde por duplo homicídio qualificado contra Marielle e Anderson e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
Ronald Paulo de Alves
Ex-policial militar. A acusação diz que teria monitorado as atividades de Marielle e fornecido informações aos executores para que o crime fosse cometido. É réu por duplo homicídio qualificado contra Marielle e Anderson e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
Robson Calixto Fonseca, o "Peixe"
Ex-assessor do TCE. Integraria uma organização criminosa com os irmãos Brazão, segundo a PGR.
Por que Marielle Franco foi morta
Em junho de 2024, quando o STF aceitou a denúncia da PGR, tornando réus os cinco investigados que ora estão sob julgamento, o subprocurador da República Luiz Augusto Santos Lima, que falou pela acusação, apontou como motivação para o crime a atuação política de Marielle Franco, que resistia a propostas defendidas pelos irmãos Brazão que, segundo a vereadora, beneficiariam a grilagem de terras e a atuação de milicianos.
— Matá-la significava eliminar de vez o obstáculo e dissuadir outros políticos do grupo de oposição a imitar-lhe a postura — afirmou Santos Lima.
A relação dos irmãos Brazão com o caso foi levantada na delação premiada de Ronnie Lessa, o autor do crime. No julgamento da denúncia, o relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que o trabalho de investigação conseguiu ir além das declarações do colaborador — que não poderiam sustentar sozinhas a acusação.
— A denúncia está fundamentada não apenas na colaboração premiada de Ronnie Lessa. Está fundamentada em diversos elementos indiciários, depoimentos, documentos que corroboram essas imputações iniciais feitas pela Procuradoria-Geral da República — declarou Moraes, à época.
A denúncia da PGR foi aceita por unanimidade na Primeira Turma. Naquele julgamento, as defesas dos acusados rejeitaram as acusações e argumentaram, entre outros pontos, que a denúncia não tinha provas suficientes para a abertura da ação penal.
Como será o julgamento
Estão previstas três sessões.
Terça-feira (24): início às 9h
Terça-feira (24): início às 14h
Quarta-feira (25): início às 9h
O julgamento será aberto pelo presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino. Em seguida, o relator da ação penal, ministro Alexandre de Moraes, fará a leitura do relatório — um resumo do caso, com histórico do processo e as alegações de acusação e defesas.
Concluída esta etapa, se iniciam as sustentações orais. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, representante da Procuradoria-Geral da República (PGR), será responsável pela acusação e terá o prazo de uma hora para manifestação, com possibilidade de prorrogação para uma hora e meia. O advogado assistente de acusação, indicado por Fernanda Chaves para auxiliar o Ministério Público, poderá falar por até uma hora. Em seguida, os advogados das defesas apresentarão suas manifestações, cada um dispondo de uma hora.
Concluídas as sustentações, o relator, Moraes, será o primeiro a votar, seguido pelos demais integrantes do colegiado, na seguinte ordem:
Cristiano Zanin
Cármen Lúcia
Flávio Dino
A decisão pela absolvição ou condenação será tomada por maioria de votos. Em caso de condenação, o colegiado decidirá a pena a ser aplicada.
Quem integra a Primeira Turma do STF
Flávio Dino (presidente)
Alexandre de Moraes (relator do caso)
Cármen Lúcia
Cristiano Zanin
Como acompanhar o julgamento
O julgamento será transmitido ao vivo pelo canal do STF no YouTube.































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