"Entre desculpas e fracassos, ninguém assume a responsabilidade no Beira-Rio." por Fábio Giacomelli
- 21 de ago. de 2025
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Inter coleciona eliminações em casa e afunda em um ciclo de erros que expõe a falta de rumo da direção

Nos últimos cinco anos, o Beira-Rio deixou de ser palco de glórias para se transformar em cemitério de sonhos. A cada temporada, a mesma cena: um time que ilude até certo ponto da competição, mas que desmorona dentro da própria casa. Desde 2021, a lista é dolorosa e didática: Vitória, Olímpia, Melgar, Caxias, América-MG, Fluminense, Juventude, Rosario Central e Flamengo. Uma coleção de eliminações que já não cabe mais no discurso de “fatalidade” ou “noite infeliz”. É sintoma de algo muito mais profundo.
Nesse período, o Inter oscilou entre modelos e promessas que nunca se sustentaram. Mudaram-se os treinadores, os discursos, os planos estratégicos. O resultado, porém, foi invariavelmente o mesmo: a repetição de erros que mostram uma direção sem convicção, incapaz de transformar teoria em prática.
O presidente prefere justificar os fracassos com a discrepância de investimento entre Inter e Flamengo. É uma meia-verdade. Se temos menos recursos, maior é a obrigação de sermos assertivos. O Inter não pode se dar ao luxo de ser laboratório de jogadores medianos, contratados por indicação de treinador ou diretor. O CAPA, o tão falado Centro de Análise e Prospecção de Atletas, existe apenas nos discursos. Na prática, é uma sigla que não impede más escolhas, não garante metodologia, não influencia resultados.
A mesma ausência de autocrítica vale para o treinador. Roger Machado não entendeu nada com as duas eliminações recentes. Eliminações, aliás, em que o Inter se recusou até a chutar a gol. Em determinado momento da coletiva, Roger disse: “Não penso que faltou força. Fizemos o que pudemos de melhor.” Se isso foi o melhor, coitado do torcedor que um dia ousou acreditar. O Inter foi apático. Pífio. Sonolento. Um time pusilânime, sem forma, sem coragem, sem alma.
Ah, não posso esquecer da chuva de papel picado antes do jogo. Algo sem precedentes na minha história futebolística. Um espetáculo que extrapolou o grotesco. O próprio Inter conseguiu quebrar com toda a energia emanada por mais uma Ruas de Fogo. Criou para si um anti-clímax vergonhoso. O que se viu, ou melhor, o que o mundo viu, já que a transmissão internacional teve de segurar 30 minutos de espera até que o campo fosse minimamente limpo foi constrangedor. Minimamente. Dois sopradores, duas vassouras de plástico e, por fim, duas redes das goleiras. Uma soma de trapalhadas. O autor desta ideia precisa ser responsabilizado junto com o clube. A multa é o de menos. O anti-clímax foi o pior.
O Beira-Rio já não perdoa. O torcedor já não aceita. Não há mais margem para erros, para justificativas rasas, para experimentos fracassados. Ou o Inter rompe de vez com esse ciclo de repetições e assume um projeto real de futebol, ou continuará acumulando eliminações que só reforçam o abismo entre discurso e realidade.































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