“Executou o pai, foi fumar maconha e seguir a vida como se nada tivesse acontecido”, diz delegado durante coletiva em Livramento
- 30 de set. de 2025
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Adolescente arquitetou assassinato por herança, ocultou o corpo e ostentou vida de festas e viagens

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou na manhã de hoje (30/09), durante coletiva de imprensa, os detalhes de um dos crimes mais perturbadores e friamente arquitetados já registrados na Fronteira Oeste. Um adolescente foi apreendido após confessar o assassinato do próprio pai com um tiro na nuca, em crime motivado por interesse financeiro.
De acordo com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), o jovem não apenas planejou a execução, como também ocultou o cadáver com a ajuda de dois cúmplices e passou a usufruir dos bens da vítima em festas, viagens e ações de ostentação nas redes sociais.
“Ele matou o pai como se fosse um animal. Planejou cada passo. A frieza com que tudo foi executado é chocante”, afirmou o delegado Adriano Linhares, responsável pelas investigações.
Execução: o tiro que deu início à barbárie
O assassinato aconteceu por volta das 6h da manhã. O adolescente esperou o pai acordar e sentar-se na cama para, então, disparar com uma espingarda diretamente na nuca da vítima. O corpo foi escondido no mesmo dia com o auxílio de dois homens adultos.
O plano já havia sido cuidadosamente preparado. O jovem adquiriu a arma, escolheu o local, mapeou as rotinas e até bolou uma história para enganar os vizinhos — dizia que o pai havia sido preso no Uruguai.
“Foi tudo premeditado. Ele comprou a arma, estudou o melhor momento e enganou quem podia levantar suspeita”, detalhou o delegado Linhares.

Ganância como motivação
O que motivou o crime, segundo a polícia, foi a cobiça. O adolescente queria tomar posse do patrimônio do pai. Após o homicídio, ele vendeu o carro da vítima, peças de valor, viajou para Santa Maria e frequentou festas, como se nada tivesse acontecido.
“Matou, lucrou e comemorou. Essa é a linha do tempo. Foi um crime de cunho patrimonial, sem remorso algum”, reforçou Linhares.
Tatuagem e pneus: o preço de ocultar um corpo
Dois adultos envolvidos na ocultação do cadáver também foram presos. O pagamento pelos “serviços” é tão grotesco quanto o crime em si: um deles recebeu R$ 350 para fazer uma tatuagem no pescoço, o outro ganhou dois pneus.
“Isso é a banalização completa da vida humana. Um pai morto e escondido por uma tatuagem e dois pneus. É revoltante”, disparou o delegado.
Ambos os suspeitos permaneceram em silêncio durante os interrogatórios e estão sendo investigados por possível participação direta no planejamento do latrocínio.
Vida de luxo financiada por sangue
Enquanto a polícia procurava a vítima, o adolescente vivia como se tivesse herdado um império. Exibia um estilo de vida acima de sua realidade, com viagens, uso de drogas, festas e aparições em redes sociais.
“Não apenas matou. Comemorou a morte. Viveu o que ele considerava o prêmio. Se comporta como um empreendedor da morte”, afirmou Linhares, com indignação.
Apesar de aparecer em fotos com armamentos, até o momento não há provas de ligação com facções criminosas. A espingarda usada no crime era real, mas outras armas vistas podem ser de airsoft, conforme apurado.
Perfil psicológico: inteligência e ausência de empatia
A DRACO aponta que o adolescente possui um perfil inteligente, manipulador e com alto grau de frieza emocional. Segundo o delegado, ele criou uma verdadeira "engenharia criminosa", com etapas bem definidas e ações calculadas.
“Desde o assassinato até a manipulação de vizinhos e a venda dos bens, nada foi por impulso. Tudo foi planejado com uma frieza assustadora”, disse Linhares.
O jovem demorou a confessar. Inicialmente se colocou como vítima, mas após interrogatórios estratégicos, acabou admitindo a autoria do crime.
Justiça e investigação em andamento
O caso já está sob análise do Ministério Público e do Judiciário. O adolescente foi apreendido em flagrante, e os cúmplices adultos permanecem presos. A Polícia Civil continua a apuração e não descarta o surgimento de novos envolvidos.
“Vamos até o fim. Cada detalhe será apurado. Cada omissão, cada cúmplice. A verdade será totalmente esclarecida”, garantiu o delegado.
“Não restou humanidade”
A vítima, conforme a polícia, era um homem trabalhador, que preparava o filho para assumir a empresa da família. A violência do crime e a frieza do autor causaram comoção até mesmo entre investigadores experientes.
“O sujeito que mata o pai, curte a vida e ainda vende os bens da vítima… não resta nada de humanidade. Isso é o retrato da maldade absoluta”, concluiu o delegado Adriano Linhares.































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