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Golpista se passou por técnico do Grêmio, tirou R$ 22 mil de Enamorado e mandou Kannemann treinar mais cedo

  • há 17 horas
  • 3 min de leitura

Preso no interior do Rio, suspeito usava linguagem do futebol para abordar atletas e dirigentes de Grêmio e Inter

Um homem suspeito de aplicar golpes contra jogadores e dirigentes da dupla Gre-Nal foi preso na manhã desta quarta-feira (2), em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, em uma operação conjunta das polícias civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.


Segundo a GZH, o suspeito, identificado como Lucas de Oliveira Eduardo, é investigado por se passar por pessoas ligadas ao futebol para pedir dinheiro a atletas, ex-jogadores e dirigentes. A operação foi batizada de Falso 9 e teve participação da 4ª Delegacia de Polícia Distrital de Porto Alegre e das delegacias de Cabo Frio e Itaperuna, no Rio.

Uma das principais vítimas foi o atacante colombiano José Enamorado, do Grêmio. De acordo com a investigação, o golpista se passou pelo técnico gremista Luís Castro e convenceu o jogador a transferir R$ 22 mil por Pix. O dinheiro, segundo a polícia, ainda não foi recuperado.

Para enganar Enamorado, o suspeito usou uma foto de Luís Castro e um número de telefone com prefixo do Rio de Janeiro. A abordagem ocorreu em abril, por WhatsApp. Antes de pedir dinheiro, o falso treinador manteve contato por vários dias com o atleta, perguntou sobre sua rotina, sua família e seu desempenho nos treinos, além de elogiar sua dedicação.


A estratégia, segundo a apuração, era criar confiança e evitar que a fraude fosse descoberta. Em determinado momento, o falso Luís Castro pediu que Enamorado não comentasse o contato direto com outros jogadores do elenco. Depois, apresentou a história de um suposto projeto social ligado ao futebol amador no Rio de Janeiro.

O golpista disse que ajudava havia algum tempo um grupo social por meio da doação de cestas básicas e afirmou que atletas de clubes anteriores também teriam participado da iniciativa. Em seguida, perguntou se o jogador “gostaria de ajudar também”.

Com a resposta positiva de Enamorado, o suspeito detalhou o pedido: seriam 300 cestas básicas, no valor de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. Ele encaminhou uma chave Pix aleatória, que teria sido apresentada como pertencente a uma suposta responsável pela instituição, e orientou o atleta a fazer a transferência.

O pagamento foi realizado em 7 de maio de 2026. Segundo a investigação, o valor caiu em uma conta bancária controlada pela organização criminosa. Depois da transferência, o suspeito enviou ao jogador uma suposta confirmação de recebimento das cestas básicas pela instituição, encerrando a etapa do golpe.

Outros jogadores do Grêmio também foram abordados, mas desconfiaram das mensagens e checaram a situação com o clube. Em um dos casos, o falso treinador mandou o zagueiro Walter Kannemann comparecer mais cedo ao treino no CT do Grêmio, no bairro Humaitá, em Porto Alegre. O argentino suspeitou da ordem e depois descobriu que não havia nenhuma determinação nesse sentido.

O suspeito também tentou atingir pessoas ligadas ao Internacional. Entre os alvos estava Andrés D’Alessandro, ídolo colorado e ex-dirigente do clube. Ele recebeu mensagem de Eduardo, que se passava por um conhecido. A conversa também envolvia pedido de dinheiro, mas D’Alessandro desconversou e não deu continuidade ao contato.

A investigação ficou sob responsabilidade da 4ª DP de Porto Alegre porque a delegacia atende a região do CT e da Arena do Grêmio. Como o caso envolveu um jogador gremista, o delegado Gabriel Lourenço rastreou o suspeito e pediu providências à Justiça. A prisão preventiva foi decretada pela 2ª Vara de Garantias de Porto Alegre.

Apesar da ordem judicial expedida no Rio Grande do Sul, Lucas de Oliveira Eduardo permanecerá no Rio de Janeiro. A Polícia Civil fluminense suspeita que ele também tenha aplicado golpes semelhantes no estado.


O homem já era investigado no Rio por casos parecidos. Há registros de pedidos de dinheiro feitos por ele ao técnico Dorival Júnior quando comandava a Seleção Brasileira. Dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol também teriam sido alvo do esquema.

Para o delegado Gabriel Lourenço, o conhecimento do ambiente do futebol pode ter ajudado o suspeito a tornar as abordagens mais convincentes.

“Contribui para isso o fato de o golpista ser ex-jogador das categorias de base do futebol. Ele usa a linguagem dos boleiros”, afirmou o delegado.


Fonte: 247

 
 
 

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