Intoxicação por metanol: Anvisa aciona autoridades internacionais para trazer antídoto ao Brasil
- Saimon Ferreira

- 3 de out.
- 2 min de leitura
Fomepizol age bloqueando a transformação da substância em metabólitos tóxicos, responsáveis por danos graves ao sistema nervoso e ao fígado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está buscando a importação do medicamento fomepizol, utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol.
O fármaco não está disponível no mercado nacional, mas de acordo com o g1, o órgão federal acionou autoridades reguladoras de diferentes países, como Estados Unidos, Canadá e Argentina, para viabilizar a importação. Além disso, um edital foi publicado para chamamento internacional em busca de fabricantes e distribuidores com estoque disponível do medicamento.
O fomepizol age bloqueando a transformação da substância em metabólitos tóxicos, responsáveis por danos graves ao sistema nervoso e ao fígado. Atualmente, os serviços de saúde utilizam o etanol em grau farmacêutico para retardar o efeito do veneno. Porém, a ação não é tão segura nem tão eficaz.
Contaminação por metanol
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou na quinta-feira (2) que o número de notificações de casos suspeitos de intoxicação por metanol no Brasil chegou a 59. Do total, 11 pacientes já tiveram o diagnóstico confirmado.
Até o momento, foram constatadas cinco mortes após intoxicação pela substância.
O que é metanol?
O metanol é um tipo de álcool usado como solvente em processos industriais. Mesmo em pequenas quantidades, a substância é tóxica ao ser humano, podendo causar dores abdominais, cegueira permanente, coma e até a morte. É uma versão mais barata e perigosa do etanol, o álcool resultante da fermentação de frutas e cereais, como no vinho e na cerveja.
O álcool etílico é o único tolerado pelo corpo humano, desde que não seja em quantidades excessivas. Também é o mesmo usado em alguns combustíveis e produtos de limpeza — porém, nesses casos, o etanol é misturado a outras substâncias impróprias para o consumo.
Milhares de casos de intoxicação por metanol são registrados todo ano, conforme levantamento da instituição Médicos sem Fronteiras. A taxa de mortalidade é de 20% a 40%, dependendo da quantidade ingerida, do tempo de resposta e do tratamento administrado.
Produtores clandestinos adicionam metanol para deixar as bebidas mais fortes e aumentar o rendimento a baixo custo. Um dos perigos é que os dois tipos de álcool apresentam gostos parecidos, e os sintomas de envenenamento podem demorar de 12 horas a 24 horas para se manifestarem. Ou seja, é difícil saber, no ato, que a contaminação está acontecendo.






























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