top of page

"Quem matou Odete Roitman?": remake de "Vale Tudo" chega ao fim mobilizando o Brasil com a mesma pergunta após 37 anos

  • Foto do escritor: Saimon Ferreira
    Saimon Ferreira
  • 17 de out.
  • 6 min de leitura

A releitura do maior clássico da teledramaturgia nacional exibe seu último capítulo nesta sexta-feira, revelando a identidade do assassino de Odete Roitman

Foto: Beatriz Damy / TV Globo/Divulgação
Foto: Beatriz Damy / TV Globo/Divulgação

A releitura do maior clássico da teledramaturgia nacional chega ao fim nesta sexta-feira (17). Assinado por Manuela Dias, o remake de Vale Tudo encerra sua trama no capítulo de número 173, respondendo à pergunta mais feita pelos brasileiros nas últimas semanas: quem matou Odete Roitman?


Ao longo dos quase sete meses desde a estreia da nova versão, no final de março, Vale Tudo não foi uma unanimidade. A releitura da história criada por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères realizou mudanças de roteiro que foram criticadas, mas também foi aclamada por inovações – como a inclusão de protagonistas negras: Raquel e Maria de Fátima, interpretadas por Taís Araújo e Bella Campos.


Ainda que dividindo opiniões, a novela chega ao fim com o mérito inquestionável de estar na boca do povo. Para a jornalista Ana Paula Gonçalves, doutora em Comunicação pela PUC-Rio e autora do livro O Brasil mostra a sua cara: Vale Tudo, a telenovela que escancarou a elite e a corrupção brasileira, o remake conseguiu mobilizar o país em torno de seus desfechos.


A pesquisadora enxerga que a repercussão em torno do remake de Vale Tudo reforça a telenovela como uma paixão nacional, contrariando o discurso de que o formato estaria em declínio, especialmente entre o público jovem.


— Mais uma vez, a gente mostra que o Brasil é um país de noveleiros. Em todo lugar que você vai, as pessoas estão falando sobre quem matou Odete Roitman, estão especulando o final dos personagens da novela. Isso é muito importante para o setor do audiovisual e mostra que o gênero continua vivo — afirma.


Jackson Marcelo, jornalista por trás da página do Instagram e do canal do YouTube Zé das Novelas, considera a adaptação de Manuela Dias um grande sucesso.


— Não se pode medir o sucesso de uma novela pelas críticas ou pelos elogios, porque sempre vai ter quem goste e quem não goste. Penso que devemos avaliar se ela foi capaz de mobilizar o público. No caso de Vale Tudo, as pessoas estão falando da novela desde o começo. Se ela não fosse um sucesso, não teria essa repercussão — reflete.


Trama adaptada


Jackson Marcelo destaca a importância da modernização da história, que se conectou às mudanças pelas quais o mundo passou nos últimos 40 anos e conseguiu impactar espectadores de diferentes gerações – algo que ele mede, inclusive, pelo engajamento em suas mídias sociais.


O jornalista elogia ainda a aproximação da narrativa à linguagem das séries, o que permitiu que a trama fosse mais dinâmica e evitasse "barrigas" – tradicionais períodos de "enrolação" no desenvolvimento dos folhetins.


— Os episódios já terminavam com um gancho para o próximo, e isso trouxe um ritmo muito interessante para a novela. Algumas pessoas reclamaram, mas eu achei positiva essa forma mais ágil de a trama se desenvolver — relata.


Os novos enredos incorporados pela autora Manuela Dias também são vistos com bons olhos pelo administrador do perfil Zé das Novelas – a exemplo da trama em torno de Leonardo.


As pessoas estão falando da novela desde o começo. Se ela não fosse um sucesso, não teria essa repercussão.


Na primeira versão, o filho mais velho de Odete Roitman realmente morre no acidente. No remake, porém, ele sobrevive, mas permanece escondido pela mãe, e a narrativa de seu retorno movimentou o folhetim nas últimas semanas.


Contudo, quanto à temática geral do enredo, Jackson acredita que a nova versão optou pela neutralidade e não desempenhou o mesmo papel que sua antecessora, de colocar o dedo na ferida das mazelas sociais brasileiras.


— Temas importantes ficaram de fora, enquanto coisas como a febre dos bebês reborn, acabaram entrando provavelmente para viralizar. É uma estratégia válida, mas faltou também aquele grande debate social que foi a marca da novela de 1988 — analisa.


Ana Paula concorda. Ela reconhece que alguns tópicos relevantes foram levantados pela trama, mas acredita que o remake poderia ter explorado melhor as contradições do Brasil atual. Contudo, pondera que a polarização que tomou conta do país tornou mais complexa a missão de retratar a realidade brasileira.


— Em 1988, a gente tinha a corrupção como o grande inimigo comum; hoje, o país está muito dividido. Uma novela não vai escolher somente uma parcela do público, porque isso não é estratégico. Desde o início, era esperado que a trama fosse mais neutra. Ainda assim, acho que algumas questões poderiam ter sido melhor exploradas — opina.


Elenco afinado


Mas o que não faltou foi entrega por parte do time de atrizes e atores que encararam o desafio de reviver personagens icônicos de Vale Tudo. Os jornalistas elogiam a escalação geral do elenco, afirmando que o núcleo principal realizou uma performance de excelência. Entre os destaques estão Taís Araújo, Bella Campos e Debora Bloch.


Para Ana Paula, Raquel de Taís Araújo teve uma personalidade própria, o que a aproximou do público. Enquanto, em 1988, a mocinha de Vale Tudo era tida como “chata” por boa parte dos espectadores – devido a sua insistência, por vezes maçante, em trazer a ética para o debate em todas as situações –, em 2025, essa característica se tornou mais sutil.


A Raquel do remake também teve a ética e a honestidade como valores fundamentais, mas não adotou postura de reguladora moral, o que fez crescer a simpatia do público, aponta a pesquisadora.


— Ela se tornou mais próxima de como as pessoas realmente são. A Taís mudou aquele perfil um pouco mais distante da Regina Duarte, com aquela Raquel que revirava os olhos, e construiu uma mocinha que é uma mulher do povo, batalhadora e alto astral — avalia.


Outro ponto positivo foi Bella Campos, que deu vida a Maria de Fátima. O desempenho da atriz foi bastante criticado no início da trama, mas ela deu a volta por cima e conquistou o seu espaço, tornando-se queridinha dos espectadores.


— A atriz defendeu muito bem o papel e provou ser um talento promissor, com muito futuro na teledramaturgia — elogia Ana Paula.


Contudo, o grande destaque foi Debora Bloch e sua interpretação de Odete Roitman. A pesquisadora ressalta que a atriz conseguiu assumir com maestria um papel emblemático e que gerava grande receio no público.


Ana Paula observa que Beatriz Segall, intérprete da vilã na trama original, praticamente personificou a figura de Odete Roitman, o que tornou ainda maior o desafio de Debora Bloch. Apesar disso, a atriz conseguiu criar a sua própria versão da presidente da TCA.


— A Debora tomou a personagem para ela no melhor sentido da palavra, entregando uma vilã memorável. A Odete dela foi diferente da Odete de Beatriz Segall, mas igualmente excelente. Eu até diria que esse foi o papel da vida de Debora Bloch, mas acredito que ela ainda terá muitos outros papéis icônicos — afirma.


A jornada da Odete Roitman de Debora Bloch chega ao fim nesta sexta, quando o mistério em torno da identidade do assassino da vilã será concluído.


A autora Manuela Dias revelou terem sido gravados 10 desfechos diferentes para o crime, com cada um dos cinco principais suspeitos matando e não matando a dona da TCA. São eles: Heleninha (Paolla Oliveira), Celina (Malu Galli), Marco Aurélio (Alexandre Nero), Maria de Fátima (Bella Campos) e César (Cauã Reymond).


Em unanimidade, Ana Paula e Jackson apostam em Marco Aurélio como assassino de Odete Roitman. Isso porque, em 1988, ele era a escolha dos autores. Como o desfecho vazou antes da veiculação, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères optaram por modificar o final, atribuindo a Leila a responsabilidade pelo crime.


— Seria uma homenagem aos autores, mantendo o desfecho que eles idealizaram. Também traria a simbologia de fazer com que o Marco Aurélio seja preso, pois, na primeira versão, o público ficou bastante indignado com a impunidade do personagem, que terminou a novela fugindo e dando uma "banana" para o Brasil — analisa Jackson.


Apesar de também defender a teoria, Ana Paula não descarta a possibilidade de Manuela Dias estar "despistando" os espectadores com a lista de suspeitos.


— Tenho esperança de que não seja nenhum dos cinco, para o público ter uma surpresa.


A RBS TV fará uma transmissão especial ao ar livre do último capítulo de Vale Tudo nesta sexta-feira (17) no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, conhecido como Parque Harmonia, em Porto Alegre.


Com entrada livre, o evento começa às 20h15min, com apresentação dos comunicadores Neto Fagundes, Cris Silva e Amanda Souza, e com distribuição gratuita de pipoca, algodão-doce e brindes.


Em caso de chuva, a transmissão será realizada no centro de eventos Casa do Gaúcho, à direita do parque.


Fonte: GZH

 
 
 

Comentários


PUBLICIDADE PADRÃO.png

Destaques aqui no site!

Quem viu esse post, também viu esses!

bottom of page