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Região registrou 5 feminicídios em 2023, enquanto o RS fechou o ano com 87 mulheres assassinadas

Os crimes na Região Central foram registrados em São Francisco de Assis, São Gabriel, Itaara e Restinga Sêca

A Região Central registrou cinco feminicídios em 2023. No Estado, 87 mulheres morreram assassinadas. Os dados são do Relatório de Feminicídios do Rio Grande do Sul em 2023, do Observatório de Violência Doméstica da Secretaria Estadual da Segurança Pública.


Os números são analisados pela Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam) do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), da Polícia Civil.


Ao longo do ano, foram registrados 87 casos de feminicídio consumado. Contudo, esse número representa uma redução significativa em comparação aos últimos cinco anos, seguindo a seguinte tendência:


• Em 2019: 97 casos

• Em 2020: 80 casos

• Em 2021: 96 casos

• Em 2022: 110 casos

• Em 2023: 87 casos


A análise detalhada revela que 81,6% das vítimas não possuíam medidas protetivas vigentes na data do crime, enquanto 57,5% não tinham registros policiais anteriores. Em 86,2% dos casos, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro da vítima, sendo que em 74,7% das ocorrências, a residência foi o local do crime. Em 5,7% dos casos, o agressor tinha algum parentesco com a vítima, e em 4 casos, as vítimas foram mortas por desconhecidos.


Quanto aos métodos utilizados, 46% das vítimas foram mortas com arma branca, 28,7% com arma de fogo, e 21,8% sofreram outras formas de agressão. A faixa etária das vítimas varia, com a média de idade sendo 36,6 anos. A maioria das vítimas era solteira (71,3%), de raça branca (73,6%), e a vítima mais jovem tinha 16 anos, enquanto as duas mais velhas tinham 80 anos.


Um dado preocupante é que 64 das 87 vítimas eram mães, impactando diretamente 137 pessoas, incluindo 82 crianças e adolescentes que perderam suas mães devido ao feminicídio. Em 8 casos, filhos perderam pai e mãe para a violência doméstica, devido a feminicídio seguido de suicídio. Em sete casos, o crime foi praticado na presença de crianças e/ou adolescentes.


Quanto ao perfil do agressor, a média de idade é de 38,5 anos, sendo a maioria solteira (70,1%), de raça branca (71,3%), e 78,1% com antecedentes policiais, sendo 44,8% com antecedentes por violência doméstica e familiar. Em 72,4% dos casos, os agressores foram presos, enquanto 9,2% cometeram suicídio.


Em relação à distribuição geográfica, os registros de feminicídio foram observados em 62 municípios gaúchos, com maior incidência nas regiões Metropolitana, Nordeste e Noroeste.


Na Região Central, houve 1 feminicídio em São Francisco de Assis, dois em São Gabriel, um em Itaara e um em Restinga Sêca, totalizando cincocasos.

A complexidade dos dados destaca a necessidade contínua de esforços coordenados para combater a violência contra a mulher no Estado.


Relembre os casos de feminicídios na Região Central em 2023


SÃO GABRIEL


Ana Souto Esteves,33 anos foi morta a tiros pelo ex-companheiro de uma amiga em frente a uma casa noturna da Praça Carlos Pereira, em São Gabriel, na madrugada do dia 1º de abril. Ela chegou a ser internada no CTI da Santa Casa, porém não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã do dia 6.


Thiéle Sallet Molina, de 29 anos, e o atual companheiro dela, o militar do Exército Rodrigo Falção, de 38 anos, foram mortos a tiros pelo ex-marido dela, o médico Wilson Roos Junior, de 64 anos. O crime ocorreu por volta das 21h do dia 16 de maio em um condomínio, na Rua Interna, na zona sul da cidade. A jovem e o suspeito estavam em processo de separação desde o final do ano passado. O militar foi baleado, não resistiu aos ferimentos e morreu em frente a uma residência. Thiéle chegou a ser socorrida, passou por cirurgia de emergência na Santa Casa de Caridade, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 4h desta quarta-feira (17). Após atirar nas vítimas, o médico fugiu do local e se apresentou na Delegacia de Polícia no início da madrugada com um advogado.


ITAARA


Teresinha de Lourdes dos Reis Lima, 71 anos, foi encontrada morta na manhã de 5 de maio, em Itaara. O suspeito de ser o autor do crime, que seria o filho da vítima de 45 anos, foi preso em flagrante por policiais da Brigada Militar (BM). O homem estaria em tratamento psicológico. Conforme a polícia, o crime aconteceu por volta das 9h, na Rua 22 de Outubro, logo após o autor entrar em surto e atacar a mãe com uma faca de serrinha.


RESTINGA SÊCA


Marta Helena Silva Ferreira, 65 anos, foi encontrada morta em uma cova às margens do Rio Jacuí, em Restinga Sêca, em 16 de junho de 2023. O suspeito de cometer o crime, um homem de 47 anos, era casado e mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima há cerca de dois meses.


SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Celi de Fátima Dicette Cogo, 56 anos, foi morta com golpes de facão desferidos pelo ex-marido Airton Buzata Romero, de 48 anos, no final da tarde de 28 de junho de 2023, na localidade de Rincão dos Salbegos, no interior do município. A mulher já havia sido vítima de uma tentativa de feminicídio em janeiro de 2020, quando foi atingida com um tiro no rosto e no braço, após o marido efetuar três disparos. Na época, Celi chegou a pedir medidas protetivas, mas depois que Romeiro saiu da prisão, não havia tido mais nenhum problema com o ex-marido que passou a residir em frente à casa dela naquela localidade.


Texto: Rafael Menezes - Bei

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