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Setembro amarelo: o desafio de conscientizar sobre saúde mental

  • Foto do escritor: Saimon Ferreira
    Saimon Ferreira
  • 18 de set.
  • 4 min de leitura

Mais de 700 mil pessoas perdem a vida para o suicídio a cada ano no mundo inteiro, segundo a OMS

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Mais de 700 mil pessoas perdem a vida para o suicídio a cada ano no mundo inteiro, sendo que 77% dos casos acontecem em países de média ou baixa renda. Esses números são maiores que os óbitos por HIV, malária, câncer de mama, guerras e até homicídios, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS).


Um dos grandes desafios Conselho Federal de Medicina (CFM) é quebrar os tabus e reduzir estigmas para que as pessoas busquem e ofereçam ajuda. Contudo, o médico psiquiatra Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, 1º vice-presidente do CFM, alerta para a necessidade de identificar o quanto antes doenças mentais.


Cavalcanti afirma que o CFM orienta-se pelos princípios iniciais da medicina nas questões da saúde mental: diagnóstico nosológico (diagnóstico da doença e sua gênese) e prescrições terapêuticas (medicamentosas, psicoterápicas ou institucionais).


“A abordagem de doenças mentais requer avaliação médica, sem invalidar a participação de outras profissões como psicologia e terapia ocupacional”, explica.

Ele chama a atenção para o diagnóstico precoce de doenças mentais.


“É fundamental, pois quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior a possibilidade de ajuda efetiva e de evitar desfechos mais graves. A demora no tratamento pode levar à perda de confiança e segurança na capacidade de resolver problemas e tomar decisões”, pontua.

O médico psiquiatra também esclarece que é importante a população ter entendimento de que muitos dos medicamentos nesses casos não têm efeito imediato.


“Muitos medicamentos psiquiátricos levam entre cinco e 30 dias para surtir efeito”, explica. “É importante a parceria com a família para o acompanhamento do paciente, incluindo a monitorização da ingestão da medicação”, completa.

Ele afirma, contudo, que é papel dos médicos fazerem essa conscientização nos pacientes e familiares, que muitas vezes procuram a solução imediata “cessar a dor em quadros depressivos”, para não os desencorajar em relação ao tratamento prescrito.


Ainda em relação ao diagnóstico precoce, o CFM destaca que “médicos de diversas especialidades, como clínicos gerais, cardiologistas e neurologistas, devem estar atentos a manifestações precoces de doenças mentais para iniciar tratamentos ou encaminhar pacientes a especialistas”.


Vale ressaltar que situações que envolvem o suicídio podem ter diferentes fatores, como as doenças mentais. Porém, o diagnóstico é necessário para que o médico psiquiatra encaminhe o tratamento mais adequado para aumentar os fatores de proteção e diminuir os riscos.


Setembro amarelo e a terapia no ChatGPT


O médico psiquiatra também enfatiza que a campanha Setembro Amarelo “visa conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce”. Cavalcanti destaca que “o CFM e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estimulam o aprendizado sobre manifestações precoces de doenças mentais para que médicos possam iniciar tratamentos ou encaminhar pacientes a especialistas.”


O 1º vice-presidente do CFM também alertou para o uso inadequado de ferramentas como o ChatGPT para diagnósticos e tratamentos psicológicos, enfatizando a importância da relação humana no cuidado médico. Contudo, para o psiquiatra esse comportamento é “um modismo” e valorizou a relação humana entre pacientes e profissionais.


“Olha, isso são os modismos quando o Google lançou a plataforma, foi um um ‘boom’. As pessoas já chegavam lá (consultório) com a percepção diagnóstica, não somente para doenças mentais, mas para qualquer outras doenças e isso foi desaparecendo porque o elemento e a relação, é quem vai permear primeiro a confiabilidade na abordagem. A máquina, ela jamais vai ter um contorno humano”, opina Cavalcanti.

Sobre outros tipos de ajuda, como o serviço prestado pelo Centro de Valorização à Vida (CVV), que é por meio de voluntários que muitas vezes não possuem formação médica ou na área da psicologia, Cavalcanti disse que o CFM reconhece a importância da iniciativa, mas destaca que a mesma “não substitui a intervenção médica quando necessário”.


Adriana, voluntária do CVV, e que pode ter só o primeiro nome divulgado, garante que no treinamento os voluntários são orientados a sugerir para que as pessoas busquem pelo tratamento adequado e ajuda médica, destacando serviços oferecidos pelo SUS e Caps, por exemplo.


Mortes no Brasil


Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, mostram que em uma década os suicídios aumentaram 43% no Brasil. Em 2010, eram 9.454 e em 2019 subiu para 13.523.


O levantamento indica que entre os adolescentes o aumento foi de 81%, indo de 3,5 suicídios por 100 mil adolescentes para 6,4. No ano de 2021, 15.507 suicídios foram notificados no Brasil, representando a segunda principal causa de mortes entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta principal entre jovens de 20 a 29 anos.


A taxa de suicídio entre homens no Brasil é três vezes maior que a de mulheres. Entre homens, a taxa de suicídio aumenta progressivamente com a idade, atingindo seu pico nos idosos com mais de 70 anos. Já entre as mulheres, observa-se risco mais elevado nas adolescentes de 15 a 19 anos.


Outro dado informado pela pasta é que a taxa de suicídio entre indígenas no país é três vezes maior que a da população geral. Ainda segundo o Ministério da Saúde, os estados brasileiros com as maiores taxas de suicídio, em 2021 foram Rio Grande do Sul, Piauí, Mato Grosso do Sul, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.


Você precisa de ajuda?


O CVV funciona todos os dias 24 horas. Se você precisa de ajuda pode ligar gratuitamente para 188. Não é necessário se identificar. Você será atendido por um voluntário do serviço de acolhimento emocional. A ligação também não tem limitação de tempo.


Se preferir, pode conversar via chat, por meio deste link. Ou ainda através do e-mail apoioemocional@cvv.org.br. Contudo, nessas modalidades há horários de atendimento:


  • Domingos: 15h às 00h

  • Segundas-feiras: 08h às 00h

  • Terças-feiras: 08h às 00h

  • Quartas-feiras: 08h às 00h

  • Quintas-feiras: 08h às 00h

  • Sextas-feiras: 13h às 00h

  • Sábados: 13h às 00h


Fonte: Agência Brasil

 
 
 

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