Semana será decisiva para o cultivo da soja no RS
- há 4 dias
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Se o volume de precipitação não for suficiente, projeção de supersafra da oleaginosa tende a ficar mais distante

Mesmo com a ocorrência de chuva em alguns pontos do Estado, o clima seco e as altas temperaturas das últimas semanas podem comprometer o cultivo da soja no Rio Grande do Sul. Caso não ocorra um bom volume de precipitação, a supersafra esperada tende a não se concretizar.
“A expectativa do produtor era muito boa até o momento, mas temos um percalço em relação à condição que vinha (de alta produção)”, avalia o gestor da área de culturas anuais da Emater-RS-Ascar, Alencar Rugeri.
Ele lembra que a falta de água em algumas regiões, associada ao calor, promove um “clima tenso” entre os produtores neste momento. “Temos que aguardar o retorno da chuva, que entra nos próximos dias, para depois ter uma percepção um pouco melhor”, entende.
Da mesma forma, Rugeri explica que ocorreram chuvas pelo Estado, mas não de maneira generalizada, enquanto o calor realmente tem atingido todas as regiões produtoras, o que intensifica a perda de água dos solos. O especialista ainda lembra que as atuais cultivares de soja têm hábitos de florescimento indeterminados. Isso permite que a planta continue produzindo flores por um período mais longo, o que ajuda na recuperação e minimiza as perdas.
O engenheiro-agrônomo e consultor Antônio Renato Souza conta que há relatos de regiões em Tupanciretã com mais de 24 dias sem chuva e temperaturas escaldantes. “Isso dá um desequilíbrio na planta”, relata. “É muito cedo para a gente avaliar perdas”, ressalta, destacando que esta semana será “um divisor de águas” para o setor. “Se chover, vai amenizar.”
Independentemente da impossibilidade de se mensurar os prejuízos, o consultor entende que a grande produção gaúcha esperada não vai se concretizar.
“É muito cedo ainda para a gente comentar que o Rio Grande do Sul terá uma supersafra. Muito cedo. Nós estamos na metade do caminho e o nosso clima, pelo que está demonstrando, não vai acontecer”, diz.
“O produtor está meio calejado. Pelo que a gente vê esse ano tem regiões que vão ter quebras bem significativas.”
A boa notícia aos agricultores é que esta semana tem previsão de chuvas generalizadas no Rio Grande do Sul. “Vamos ter uma condição melhor de chuva em todas as regiões produtoras do interior do Rio Grande do Sul”, afirma o meteorologista Flávio Varone, coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS).
Heterogeneidade de desenvolvimento
Na semana passada, em seu boletim, a Emater/RS-Ascar informou que a cultura da soja manifestava heterogeneidade de desenvolvimento no Estado, em função da irregularidade das precipitações e também por causa das temperaturas elevadas.
“Observam-se lavouras com adequado crescimento vegetativo e alto potencial produtivo, contrastando com áreas sob estresse hídrico, inclusive dentro de uma mesma região ou até no mesmo município”, explicou.
Segundo a instituição, a maior parte das lavouras da oleaginosa está em fases de elevada exigência hídrica: floração (46%) e formação de vagens e enchimento de grãos (27%), “o que amplia a sensibilidade à redução da umidade do solo”.
“As áreas de várzea, de solos mais profundos ou com boa cobertura de palhada mantêm melhores condições hídricas e térmicas, refletindo em maior uniformidade e potencial produtivo. Em áreas de solos rasos, compactados ou de menor capacidade de armazenamento de água, os sintomas de estresse são mais evidentes, como murcha temporária, queda de flores e abortamento de vagens.”































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