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Tecnologia criada no RS amplia chances de transplantes de coração e aumenta distância que pode ser percorrida em segurança

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Dispositivo desenvolvido em Santa Rosa mantém temperatura controlada e eleva limite de viagem do órgão para oito horas. Aparelho permite buscar doadores a até 2 mil quilômetros de distância.

Uma tecnologia desenvolvida no Rio Grande do Sul está dobrando o tempo seguro para o transporte de corações e ampliando as chances de pacientes que aguardam por um transplante no Brasil.


Criado por uma empresa de Santa Rosa em parceria com o Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, o equipamento reduziu o tempo de espera na fila e aumentou o número de doações.


Antes da inovação, o órgão era levado em uma caixa de isopor com gelo, o que limitava o tempo dos médicos para realizar o transplante a, no máximo, quatro horas. Com o novo dispositivo, chamado de Taura, esse tempo dobrou, permitindo que os órgãos percorram distâncias maiores entre os doadores e os centros cirúrgicos.


A sócia da fabricante Biotecno, Lidia Linck, explica que o aparelho mantém a temperatura controlada, variando de 4°C a 10°C, dependendo do órgão transportado.


"O grande diferencial do Taura é que ele possui bateria, pode ser conectado nas aeronaves e veículos, se comunica através de aplicativo e permite monitoramento da temperatura durante todo o período de transporte, para que se tenha certeza que este órgão esteve super bem armazenado", detalha.

Embora já existam tecnologias semelhantes importadas, elas são descartáveis, o que torna o custo inviável para a realidade brasileira. O diferencial do modelo gaúcho é ser reutilizável. Em 10 meses de uso, o equipamento já viabilizou 20 transplantes de coração no Instituto de Cardiologia. A experiência também já chegou a outros três importantes centros de transplantes do país.

O diretor cirúrgico do Programa de Transplantes Cardíacos do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Juglans Souto Alvarez, ressalta que o dispositivo ampliou o raio de segurança do transporte aéreo para dois mil quilômetros.


"A gente pode ir a Brasília, Rio de Janeiro, até Salvador, dependendo da aeronave. A gente pega metade do Brasil com segurança e isso ampliou muito a quantidade de doadores", afirma.

Segundo o médico, a inovação muda a perspectiva sobre a disponibilidade de órgãos no país. "A gente pode oferecer mais transplante para a população que precisa e quebrar esse mito que não adianta a gente oferecer transplante porque tem poucos órgãos. Na verdade, a gente está mostrando que no Brasil tem muitos órgãos e a gente tem que utilizar esse pool", acrescenta Alvarez.


A ampliação da rede de coleta reflete diretamente na vida dos pacientes. O policial penal Vanderlei Guedes Marques sofreu três paradas cardiorrespiratórias em 2023. Como sequela da falta de circulação sanguínea, o lado esquerdo do seu coração parou e o músculo morreu. A única saída apontada pelos médicos era o transplante. A preocupação de Vanderlei deu lugar à esperança de forma rápida.


"Depois que eu fiz todos os exames, que eu entrei na fila de transplante, deu dois dias. Foi uma surpresa quando o doutor entrou no quarto e falou que tinha um coração para mim", relembra.

Dois meses e meio após a cirurgia, o policial penal celebra a recuperação. "Antes de eu fazer o transplante, não conseguia caminhar muito longe, ficava ofegante, com falta de ar. E agora consigo ir mais longe do que eu ia. Consigo dormir bem", conta.

A árbitra Amanda Santos, de 32 anos, também foi beneficiada pela tecnologia. O coração que ela recebeu veio de outro estado.


"Quero aproveitar a minha vida agora junto com minhas filhas. Tudo que eu passei e fiquei afastada delas, quero recuperar, curtir bastante a família. Uma nova vida, uma chance que tinha, uma esperança de continuar vivendo", comemora.

Moradora de Cruz Alta, Amanda aguarda a liberação médica para voltar a apitar partidas de futebol amador e sonha com voos mais altos na carreira.


"Eu já me vejo voltando para fazer pelo menos o primeiro jogo lá mesmo, na várzea, na minha cidade. Todo mundo me conhece, me respeita. Mas futuramente eu quero chegar aí, Gauchão, quem sabe", projeta.

Fonte: g1 RS


 
 
 

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