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Valor do diesel aumenta frete e vai pesar no preço dos alimentos

  • Foto do escritor: Saimon Ferreira
    Saimon Ferreira
  • 10 de fev.
  • 5 min de leitura

Além disso o preço da gasolina alcançou o maior valor em dois anos

Foto: Detran/AM
Foto: Detran/AM

O aumento de R$ 0,22 por litro no diesel anunciado pela Petrobras na última semana deve ter impacto de 2% a 2,5% no segmento de transporte rodoviário de cargas, com reflexos nos produtos que chegam aos supermercados, farmácias e lojas pelo País.


De acordo com o assessor técnico da NTC&Logística, Lauro Valdivia, o aumento da Petrobras deve levar cerca de duas semanas para chegar às bombas.


“Mas a gente já estima, pelo valor da Petrobras, que vai ser mais ou menos de 2% a 2,5% a mais no frete só desse último aumento”, disse.

Mais da metade da carga transportada no Brasil circula pelas rodovias. Ou seja, o país depende do transporte rodoviário para abastecer a população com alimentos, remédios e outros produtos.


Como consequência, todos esses itens são afetados por eventuais aumentos no preço do óleo diesel – combustível usado pelos caminhões, e que representa cerca de 35% do valor do frete.


O coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz, explica que é difícil identificar com precisão quando esse aumento vai chegar aos produtos.


“O diesel é um combustível estratégico, tem impacto na inflação, mas é muito complexo medir o quanto isso vai bater em cada produto, o quanto isso vai aumentar o preço de cada produto, e quando isso tende a aparecer na inflação ao consumidor”, afirmou.

De acordo com Braz, o aumento vai acontecer, só que não é possível saber quando. Isso porque depende do repasse do valor do combustível ao frete rodoviário, cujos contratos estabelecem preços fixos com renegociação anual.


No entanto, os caminhoneiros “freelancers”, que trabalham por conta própria, devem ser mais rápidos para repassar a alta do diesel, à medida que comecem a abastecer com o combustível mais caro.


Dependência rodoviária


Não é só por causa dos caminhões que o diesel impacta indiretamente a inflação ao consumidor.


O combustível também é usado em máquinas agrícolas, na geração de energia elétrica por usinas termelétricas e ônibus urbanos.


Contudo, a dependência do transporte rodoviário no Brasil faz com que todos os produtos que chegam ao consumidor tenham uma parcela do diesel na sua composição de preços.


“O efeito indireto do diesel na inflação é muito grande. Qualquer alimento que você consuma em um grande centro urbano chegou lá via transporte rodoviário, [seja] um pacote de arroz ou mesmo um carro”, afirmou Braz.

O economista destaca que a parcela do diesel varia de acordo o valor agregado de cada produto. Ou seja, o impacto do combustível nos alimentos é maior que em eletrodomésticos, eletrônicos e carros, por exemplo –que também são transportados por caminhões.


“O problema do Brasil é que a gente tem longas distâncias que poderiam ser feitas por navios através da cabotagem [navegação ao longo da costa] ou pelo trem. E, hoje, essas rotas estão sendo feitas pelo caminhão, que não deveria porque o caminhão custa mais caro”, afirmou Valdivia. (AG)

Preço da gasolina alcança maior valor em dois anos


Com o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no diesel e na gasolina, além do reajuste do diesel anunciado pela Petrobras, o preço dos combustíveis registrou forte alta nos postos em todo o Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


Segundo o levantamento da agência, o preço médio do litro de gasolina na bomba pulou de R$ 6,20 (na última semana de janeiro) para R$ 6,35 entre os dias 2 e 8 de fevereiro. O aumento foi de 2,4%, e o valor é o maior dos últimos 2 anos.


O diesel, por sua vez, registrou alta de 4,59% no mesmo período, saltando de R$ 6,10 para R$ 6,38.Ainda de acordo com a ANP, a alta da gasolina interrompeu uma série de duas semanas consecutivas em que o preço do combustível caiu.


O aumento na primeira semana de fevereiro veio acima do esperado, que era uma alta de R$ 0,10, em função do reajuste no ICMS – que entrou em vigor no último sábado (1º). O imposto estadual da gasolina passou de R$ 1,3721 para R$ 1,4700 por litro.


Em relação ao diesel, o aumento do ICMS foi de R$ 0,06, passando de R$ 1,0635 para R$ 1,1200 por litro.Segundo a ANP, o diesel engatou a quarta semana seguida de alta nos preços. Na semana passada, a Petrobras anunciou o aumento no preço do combustível para as distribuidoras, que passou a custar R$ 3,72 por litro (alta de mais de 6%).


O mais alto preço médio da gasolina, de acordo com os dados da ANP, foi registrado no Acre (R$ 7,49). Em seguida, aparecem Rondônia (R$ 7,19), Roraima (R$ 7,02) e Amazonas (R$7,01). No Rio de Janeiro, o preço médio foi de R$ 6,19. Em São Paulo, de R$ 6,17.


No caso do diesel, o Acre também registrou o maior valor do País (R$ 7,64), seguido por Roraima (R$ 7,08) e Pará (R$ 7,03). Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 6,32. No Rio, de R$ 6,30.


Entenda


O aumento no tributo estadual começou a vigorar no dia 1º por decisão tomada em outubro passado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os Estados.


Também influi no preço final da gasolina o chamado etanol anidro, um dos componentes (27% de mistura) do combustível na bomba. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA-Esalq/USP, entre os dias 3 e 7 de fevereiro, o preço desse insumo aumentou 2,09%.


Entre os fatores para o aumento no preço da gasolina na bomba, estão o reajuste em imposto estadual, que entrou em vigor no dia 1º, e o aumento no custo do etanol anidro, que faz parte da composição do combustível.


O Confaz também aprovou um aumento de ICMS de R$ 0,06 por litro no diesel. O preço médio do litro do diesel S10 nos postos de abastecimento do País ficou em R$ 6,44 na semana entre os dias 2 e 8 fevereiro, uma alta de 4,2% na comparação com a média dos sete dias anteriores, quando esse preço estava em R$ 6,18.


No caso do diesel, a alta é um efeito direto do aumento na alíquota fixa do ICMS (+R$ 0,06 por litro) e do reajuste da Petrobras de 6,28% ou R$ 0,22 por litro nos preços praticados em suas refinarias.


O efeito do aumento da estatal nas bombas do País (R$ 0,20) foi menor porque o diesel A responde por 86% da mistura, sendo os 14% restantes de biodiesel, conforme a lei.


Ainda assim, as próximas semanas podem ser de novas altas no diesel em função de ajustes concorrenciais no varejo ou flutuações no preço do biodiesel. O efeito do reajuste em refinarias nas bombas é sentido ao longo de algumas semanas, a depender da dinâmica de estoques de cada lojista.


Esse preço médio nacional de R$ 6,44 ultrapassa nominalmente a marca de R$ 6,38 registrada no fim de 2022, na transição de governo.


Na semana passada, o presidente Lula e o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegaram a dizer que isso não aconteceria. Lula fez a ressalva de que essa comparação deveria observar o efeito da inflação. Com informações dos portais de notícias Metrópoles e Terra.


Fonte: O Sul



 
 
 

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