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Caso Alice: Ex-padrasto mantinha vínculo com enteada após separação da mãe

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Vítima foi morta a facadas na casa do homem, em Encantado, na Região dos Vales. Ele foi preso. Polícia trata caso como feminicídio.

A adolescente Alice Nitz, de 14 anos, mantinha uma relação próxima com o ex-padrasto mesmo após ele se separar da mãe. Ela foi morta a facadas na última segunda-feira (17) na casa do homem, em Encantado, na Região dos Vales do RS. Wagno Arezi Henika está preso e confessou o crime.


A mãe de Alice e o suspeito estavam juntos há 13 anos, ou seja, desde que Alice era bebê. O casal estava separado há cerca de um mês. De acordo com a Polícia Civil, ele não tinha histórico de desavenças com a ex-companheira e mantinha uma relação considerada amigável, tanto com a mulher quanto com as filhas dela.


Em nota, a defesa de Wagno afirma que ele está colaborando com as investigações. (Veja abaixo)



Quanto à adolescente estar na casa do ex-padrasto, a polícia diz que era algo costumeiro.


"Se viam seguidamente. Eles moravam próximos, era no mesmo bairro, questão de três quadras mais ou menos de diferença, e não era incomum ela ir na casa dele. Ela ia, não digo todos os dias, mas eventualmente ela ia lá, mesmo após essa separação com a mãe dela", explica a delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso.

A polícia trata o crime como feminicídio. Por não haver qualquer registro de ameaça ou violência do investigado contra a família da ex, a crime de vicaricídio é descartado.


"Com os depoimentos das testemunhas, irmãs, mãe, e do próprio suspeito, chegamos à conclusão que não havia um conflito entre a família. Não tinha medida protetiva, não tinha ocorrência, ela não relata nenhum tipo de violência ou ameaça. Inclusive, ele disse que não tinha nada em relação à ex-companheira. A morte não se deu para punir a ex-companheira", afirma a delegada.

🔎 Vicaricídio: O crime, incluído no Código Penal em abril, tipifica a ação de matar alguém próximo a uma mulher com o objetivo de causar punição, sofrimento ou controle a ela.

Em depoimento à polícia, porém, Wagno teria dito que a motivação do crime seria um conflito entre os dois [ele e a adolescente], cujas circunstâncias são investigadas.

O homem foi preso preventivamente na noite de terça-feira (18) em sua própria casa, localizada no bairro Jardim do Trabalhador, o mesmo local onde aconteceu o crime.


O que diz a defesa


"O meu cliente é réu confesso e está colaborando com as investigações para elucidar os motivos e as circunstâncias do crime. Cabe ao advogado a garantia dos direitos constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Ele já prestou depoimento à autoridade policial e hoje a tarde passará pela audiência de custódia. Salienta-se que defesa e réu estão cooperando com a Justiça", afirma em nota o advogado Márcio Arcari, que representa a defesa de Wagno Arezi Henika.


Quem era a adolescente


Alice é lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa. Ela estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Jardim do Trabalhador desde a educação infantil.

Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a jovem tinha forte ligação com as artes: declamava poesias e era integrante do grupo de dança tradicionalista da instituição, o Oigalê.


"Sempre pronta, com sorriso, cheia de vivacidade", diz Karina.

A paixão pelo tradicionalismo era compartilhada com os três irmãos, que também passaram pelo projeto.

Alice jogava futsal em um clube local, o Fênix FC Futsal Feminino. Nas redes sociais, o time expressou solidariedade. "Hoje a quadra ficou mais silenciosa e o nosso coração, infinitamente mais pesado. Perder uma jogadora e acima de tudo companheira, parceira e amiga dói de uma forma que as palavras sequer conseguem traduzir", diz a publicação.




 
 
 

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