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'Chamava ele de pai', diz delegada sobre vínculo entre criança de 4 anos morta e tio que confessou agressões

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Investigação trata o caso como homicídio doloso. Homem foi preso preventivamente em Porto Alegre. Criança foi levada pelos tios a uma UPA de Porto Alegre na segunda-feira (17), onde já chegou sem vida.

A menina de 4 anos que morreu após sofrer agressões em Porto Alegre chamava de pai o homem investigado pelo crime, segundo informou a Polícia Civil. Identificado como Nicolas Gabriel Almeida Staubus, 22 anos, o tio da criança confessou as agressões e foi preso preventivamente nesta quinta-feira (20).

O atestado de óbito confirmou a causa da morte da menina como politraumatismo. De acordo com a polícia, Samylle Valentina Borba Ramiro estava morando com os tios desde julho, com aval do Conselho Tutelar.


"Ele [o suspeito] confirma a alegação de que a menina chamava inclusive ele de pai", revela a delegada Alice Fernandes.

Segundo a delegada Fernandes, Staubus assumiu o risco de matar a criança ao agredi-la:


"Ele confessou agressão que levou à morte. Confessou palmadas, que, em decorrência, ela piorou, chegou sem vida na UPA. Considerando que é uma menina de 4 anos, a partir do momento que um adulto desfere uma agressão, ele aceita o risco de causar morte. Em razão de todo esse contexto que ele assume o resultado morte, é homicídio doloso."

Samylle foi levada sem vida a uma unidade de pronto atendimento na madrugada de segunda-feira (17). Segundo a polícia, foram os próprios tios que a levaram ao local. Contudo, o homem teria deixado a unidade de saúde ao perceber a chegada dos policiais.

A criança apresentava manchas roxas pelo corpo:


“Como a criança apresentava diversas lesões, não sabemos o tempo dessas lesões. Só a perícia vai poder afirmar. São lesões na cabeça, nas nádegas, nas pernas”, relata Fernandes.

A investigação trata o caso como homicídio doloso. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à prisão preventiva do investigado e apontou a "extrema gravidade concreta dos fatos investigados". Expedientes judiciais envolvendo a família de Samylle são acompanhados pelo MPRS desde 2025.

A polícia aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer todas as circunstâncias da morte.


Segundo a delegada, os exames serão importantes para identificar se havia lesões anteriores e para determinar com precisão a dinâmica das agressões. A expectativa da Polícia Civil é concluir o inquérito em até 10 dias.


O histórico mostra que a família passou por atendimentos do Conselho Tutelar, da Polícia Civil, da Justiça, do Ministério Público e da Defensoria Pública desde abril de 2025.


Nesse período, a guarda de Samylle foi transferida entre familiares até a menina passar a morar provisoriamente com a tia. Segundo a investigação, o tio era quem passava a maior parte do tempo com Samylle, porque a tia trabalhava fora. Até o momento, a tia da criança é considerada testemunha.


A mãe de Samylle disse à polícia que não via a filha há pelo menos dois meses e que não tinha contato com a menina "nem por videochamada".


Em nota publicada no site da instituição, o Ministério Público afirmou que os procedimentos tramitam em segredo de Justiça porque envolvem crianças. Por esse motivo, não apresentou detalhes sobre o conteúdo dos expedientes.

Na manifestação, também informou que realiza a capacitação do Conselho Tutelar e que receberá os familiares da menina para acolhimento. Entre as atribuições do Ministério Público, está a fiscalização da atuação do Conselho Tutelar.


Fonte: g1 RS



 
 
 

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